Salvador - Policiais civis e parte dos PMs de Salvador entraram em greve ontem, seis meses depois de terem participado da maior paralisação conjunta das corporações no Estado. A intenção dos grevistas é estender o movimento para o interior da Bahia a partir de hoje.
Inconformados com as prisões de cinco colegas anteontem, que teriam utilizado rádios da patrulha para convocar uma assembléia, cerca de 1.300 policiais militares do 8º e 5º Batalhões e da 40ª Companhia Independente, todos em Salvador, se aquartelaram ontem.
No período da tarde, cerca 3 mil policias civis da capital aderiram ao movimento. A principal reivindicação dos grevistas é um salário-base unificado de R$ 1,2 mil. Atualmente o menor salário com gratificações na PM é de R$ 732,00 e na Civil R$ 847,00. Além disso, pedem reintegração de policiais exonerados por terem participado da greve de julho e libertação dos cinco soldados presos.
O comando da Polícia Militar e o governo afirmam que atenderam às solicitações feitas pelos grevistas na época da primeira paralisação e que agora não têm o que negociar. Ontem mesmo a Tropa de Choque da PM invadiu os três batalhões e assumiu o controle da situação. Os soldados rebelados entregaram suas armas e capuzes, mas ainda assim permaneciam aquartelados até o início da noite.
Ao contrário da paralisação registrada em julho do ano passado que durou 13 dias e causou uma explosão da violência no Estado, o Comando da PM reagiu imediatamente à paralisação e determinou a invasão do 8º Batalhão por parte de integrantes da Tropa de Choque logo pela manhã. Armados com fuzis, metralhadoras e bombas de gás lacrimogêneo, os soldados realizaram uma operação de guerra para invadir o quartel. Todos os locais estratégicos do quartel foram ocupados por atiradores de elite.
À tarde, policiais civis, peritos e delegados também paralisaram as suas atividades, segundo informações do presidente do Sindicato dos Policiais Civis (ligado à CUT), Crispiniano Daltro. Ele disse também que os grevistas optaram por fazer apenas o atendimento interno das unidades onde trabalham, com o registro de ocorrências, sem diligências externas.
No último dia 27 de dezembro, o Sindicato dos Policiais Civis e a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar da Bahia encaminharam ao governo um documento no qual insistiam para que uma audiência entre policiais e autoridades do Estado fosse agendada. No documento, os policiais enfatizaram que a greve de julho somente foi suspensa devido ao ‘‘respeito à sociedade baiana’’.

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