Foz do Iguaçu A Polícia Federal prendeu ontem policiais e atravessadores de mercadorias acusados de envolvimento num megaesquema de contrabando na fronteira do Brasil com o Paraguai, em Foz do Iguaçu. Foram presos 22 policiais federais, três fiscais da Receita Federal, dois policiais rodoviários, mais nove atravessadores, num total de 36 pessoas.
A ''Operação Sucuri'' resultou na maior prisão em massa de policiais da história do município possivelmente uma das maiores no Paraná. O desmantelamento do grupo é fruto de 40 mandados busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal, a pedido da polícia, com aval do Ministério Público Federal.
Os 22 policiiais detidos correspondem a quase um quinto do efetivo da delegacia de Foz, que tem cerca de 120 agentes, peritos e delegados. A direção geral da Polícia Federal prometeu enviar novos servidores a fronteira para não prejudicar os trabalhos na cidade, porta de entrada de produtos legais e ilegais vindos de Ciudad del Este.
Das 36 detenções, oito foram realizadas na Ponte da Amizade, uma em Brasília (do agente Adriano da Costa Luetz), as demais ocorreram nas próprias casas dos acusados. Entre elas está a do presidente do Sindicato dos Policiais Federais de Foz, Jorge Luis Travassos, e do ex-agente federal Moiséis Nacfue.
A ação necessitou de reforço policial de vários estados e literalmente parou a quadra da delegacia, que chegou a ser interditada por questões de segurança, em virtude do grande movimento no local durante o dia. Além das prisões, foram apreendidos documentos, equipamentos de informática, veículos e armamentos. A polícia deve divulgar hoje o balanço do confisco.
O delegado-chefe da PF, em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, diz ter provas contundentes de que os policiais e os fiscais da RF aceitavam propina dos contrabandistas para facilitar a entrada de cargas, transportadas por intermediários. Eles ofereciam o serviço aos vendedores e compradores de produtos, dando garantias para ''uma travessia segura''.
O transporte era feito em veículos, cujas placas eram repassadas aos ''servidores responsáveis pela repressão'', mas que permitiam o traslado dos produtos sem fiscalização ou com uma vistoria fictícia. Alguns ''contatos diretos por telefone'' estipulavam o preço em R$ 200,00 por veículo liberado na passagem pela Ponte da Amizade.
A polícia não informou o conteúdo das provas, porém comunicou que a ''Operação Sucuri'' usou diferentes técnicas para comprovar o ''crime organizado''. Os primeiros indícios da conexão surgiram há cinco meses. Em janeiro, a delegacia solicitou e recebeu apoio de uma equipe da Diretoria de Inteligência da Polícia Federal de Brasília.
Será investigado, agora, o rombo causado aos cofres públicos. ''O sentimento é frustração, mas de satisfação, porque mostramos à sociedade que a Polícia Federal não compactua com atos de corrupção'', afirmou Mesquita. Os policiais serão indiciados por contrabando, facilitação ao contrabando, corrupção ativa e passiva, crime de prevaricação e formação de quadrilha.

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