Policiais do Rio adotam eslogam do MST em passeata
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado Rio 
Policiais civis e militares do Rio, em greve, usaram na manifestação de ontem até mesmo palavras de ordem características do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra: ocupar, resistir, produzir, gritavam eles durante passeata, ao mesmo tempo em que aplaudiam a solidariedade dos sem-terra ao movimento. De acordo com José Elias, um dos líderes do MST, o apoio aos policiais não está condicionado à retribuição de solidariedade com o movimento. Estamos aqui, porque achamos que os explorados devem se unir. Cláudio Cruz, do Núcleo dos Policiais, conclamou a classe a apoiar o MST.
O governador Marcello Alencar disse que poucos policiais da ativa compareceram à passeata. Ele acusou a CUT e o MST de explorarem politicamente o movimento. Outro líder da classe policial, Carlos Eustáquio Almeida, foi mais cauteloso. Agradecemos o apoio, mas temos que resolver primeiro os nossos problemas. Um escrivão, Marco Aurélio, da 72ª DP (São Gonçalo) levou um revólver de brinquedo para passeata. O doutor Luz disse que aqui só haveria revólveres enferrujados e gente preguiçosa, afirmou. Na verdade, alguns policiais estavam armados, mas sem ostentar as armas.
Vestidos com saco de plástico preto, com a palavra lixo pintada, policiais aposentados formavam um bloco à parte, aos gritos Ah, eu tô com fome! Ah, eu tô é duro. Um terceiro sargento do Corpo de Bombeiros apareceu na passeata com uma touca ninja. Só vim aqui porque estou de folga. Ele disse ganhar R$ 590 e é obrigado a trabalhar como segurança particular para receber mais R$ 800 mensais.
O presidente regional da CUT, Alcebíades Teixeira, disse que é normal que a central apoie os policiais. Eles também são trabalhadores, explorados, pagam contas e têm compromissos, afirmou. Também não faltaram policiais com colete e a cara pintada. Ganho R$ 460, uma mixaria, e espero que a população se sensibilize conosco, disse o cara pintada Carlos Menezes, de 36 anos, detetive do Setor de Recursos Especiais, unidade de elite da Polícia Civil. Policiais da Baixada Fluminense fretaram ônibus para participar da passeata.


