As condições precárias no alojamento destinado aos agentes da Força Nacional de Segurança causaram indignação em policiais civis e militares, bombeiros e peritos chamados para trabalhar no Rio de Janeiro durante a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Desde o final de junho, apartamentos construídos por meio do programa do governo federal Minha Casa Minha Vida abrigam o efetivo cedido por todos os Estados.
Cerca de 250 policiais do Paraná seguiram para o Rio de Janeiro na última semana. Após reclamações feitas aos organizadores, parte do efetivo protestou no condomínio de apartamentos, exigindo melhorias nas acomodações e nas condições de trabalho. "São apartamentos que só têm o piso. Não tem tubulação de gás para que eles possam cozinhar, não tem água potável na torneira, não tem chuveiro, geladeira, fogão... Só tem o piso. Com o valor das diárias, os policiais estão comprando colchões", destacou o presidente da Associação de Praças do Estado do Paraná (Apra), Orélio Fontana.
Além da falta de mobiliário, parte dos agentes de segurança não recebeu o valor integral das diárias. "Os R$ 240 são para alimentação, estadia e tudo", lembrou Fontana que também é vice-diretor Sul da Associação Nacional de Praças (Anaspra). O efetivo reclama ainda das escalas de trabalho com jornada de mais de 12 horas. "Muitos já saíram pela situação de falta de respeito com os policiais que estão aqui. Você tem que levantar às 4 horas, 5 horas estar em forma, 5h30 você sai com o ônibus para às 7 horas da manhã assumir o posto. Você assume às 7 horas e vai até às 19 horas, mas chega às 10 horas da noite porque o alojamento é longe", descreveu um policial do Paraná que preferiu não ser identificado.
O efetivo chamado para compor a Força Nacional de Segurança participa da ação de forma voluntária, com a promessa do pagamento de uma ajuda de custo durante os trabalhos. Segundo Fontana, diretores da Anaspra se reuniram nesta semana com representantes da Secretaria Nacional de Segurança Pública que prometeram regularizar os pagamentos das diárias até este sábado (16). "Há toda uma questão sobre a falta de legislação para fazer com que a segurança pública seja mais organizada. Até hoje não foi aprovada a criação da Guarda Nacional com ingresso por concurso público e uma estrutura mínima", criticou Fontana. A entidade recorreu à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Paraná e a Comissão de Segurança da Câmara dos Deputados.
O Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) não recebeu reclamações do efetivo, mas acompanha a situação dos policiais. "Recebemos a informação de que dois policiais civis vão pedir baixa para retornar ao Paraná por causa das condições oferecidas no Rio", informou o presidente do Sinclapol, André Luiz Gutierrez.
A assessoria do Ministério da Justiça foi procurada, mas não se manifestou até o fechamento desta edição. A abertura dos Jogos Olímpicos está marcada para o dia 5 de agosto. Mais de 3 mil agentes farão parte da Força Nacional de Segurança convocada para atuar até o final da Paralimpíada, em 18 de setembro.

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