Policiais do GOE são acusados de espancar presos em cadeia de SP
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quinta-feira, 29 de julho de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 30 (AE) - Policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) estão sendo acusados de espancar presos numa revista na Cadeia Pública de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O caso começou a ser investigado depois que a mãe de um dos presos fez uma denúncia formal à Ouvidoria da Polícia. O crime, de acordo com a acusação, ocorreu no dia 13. Usando capuzes, calças pretas e camisetas brancas com a inscrição GOE, os policiais civis entraram na cadeia para fazer uma revista nas celas. Durante a operação, eles teriam espancado cerca de 20 presos. Os principais alvos da pancadaria foram dois traficantes nigerianos e R.C.M., também negro, que é réu primário e está detido sob a acusação de furto. A tortura durou cerca de duas horas e meia. No dia seguinte, R.C.M. recebeu a visita de sua mãe, a quem relatou as agressões. No dia 15, a mãe do preso procurou a ouvidoria. Ela prestou depoimento e sua denúncia foi encaminhada pela ouvidor, Benedito Mariano, à Corregedoria da Polícia Civil e ao procurador-geral de Justiça, Luiz Antônio Marrey.
À corregedoria, a ouvidoria pediu a apuração do caso e ao procurador-geral, a designação de um promotor para acompanhar a apuração. Ao ser procurado ontem pela reportagem, Mariano disse que ainda não havia recebido informações sobre o resultado das investigações. Hoje, o ouvidor recebeu da corregedoria um relatório preliminar sobre o caso. Depoimento - No dia 21, o delegado Emerenciano Dini, do setor operacional da corregedoria, foi à cadeia pública e tomou o depoimento do preso, que confirmou as agressões e acusou os policiais do GOE. De acordo com o relatório do delegado, embora já tivesse passado uma semana, as marcas das agressões ainda eram visíveis no corpo de R.C.M.
Dini encaminhou o preso ao Instituto Médico-Legal (IML) a fim de que os médicos fizessem o exame de corpo de delito. Agora, a corregedoria espera o laudo. "Como o delegado relatou a existência das lesões, é muito provável que os médicos também o façam", afirmou o ouvidor. De acordo com ele, o caso é muito grave e será acompanhado pela ouvidoria. "Essa não é a primeira vez que recebemos denúncia de espancamento de presos por policiais civis vestindo capuzes", afirmou Mariano.
De acordo com o ouvidor, o próximo passo da investigação da corregedoria será tentar determinar a autoria do crime. "Enquadramos esse caso como uma denúncia de tortura". Os juízes da Corregedoria da Polícia Judiciária da Capital também estão acompanhando o caso.


