Os policiais civis pernambucanos lembraram ontem um mês de greve com um ato público ironizando a proposta de reajuste salarial de 10% do governo estadual. Eles interditaram um quarteirão da Rua da União, no bairro central da Boa Vista, onde montaram um bolo de sete metros chamado ‘‘Bolo Nota Dez’’.
Três grevistas, vestidos de garçom, com paletó branco, gravata borboleta e bandeja na mão, ajudaram a servir o bolo. Cerca de 300 pessoas participaram do protesto. A categoria reivindica 28% de aumento salarial e um salário-base de R$ 180,00, o que elevaria o atual salário inicial de R$ 529,00 para R$ 700,00.
‘‘Quem ganha 10% de gratificação é garçom’’, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Henrique Leite, repudiando a proposta governamental, que considerou ‘‘discriminatória’’. ‘‘Os 10% soam como uma piada diante dos 28% de aumento salarial concedidos aos bombeiros e policiais militares’’.
Em discurso, Leite defendeu o direito de greve das polícias e adiantou que se o governo estadual decidir punir os grevistas, a categoria vai radicalizar, suspendendo os serviços essenciais que vêm sendo mantidos. -
O bolo, com recheio de goiaba, funcionou como a representação do ‘‘(dez)respeito, (dez)motivação, (dez)criminação, (dez)estímulo, (dez)aparelhamento, (dez)ânimo, (dez)amparo, (dez)ilusão e (dez)governo’’ a que os policiais se dizem submetidos. Estes termos estavam em uma grande faixa e pequenas placas de isopor que enfeitavam o bolo.
Os grevistas esperam que o governo do Estado retome as negociações com uma nova proposta salarial. O governo afirma não poder pagar mais do que esse percentual, por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. A greve foi considerada ilegal pela Justiça.

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