Depois de 20 dias de greve, os policiais civis e militares de Alagoas voltaram ao trabalho e o governador interino Manoel Gomes de Barros (PTB) mandou retirar os soldados do Exército das ruas. Para Barros, Alagoas vive um clima de paz e normalidade, ‘‘portanto não há mais necessidade de tropas federais protegendo o patrimônio público’’. O pedido para o recolhimento dos soldados ao quartel foi feito ontem pela manhã, no Palácio dos Martírios, durante uma reunião entre o governador e general Pedro Fernando Malta, que na terça-feira substituiu o general Monteiro de Barros no comando das tropas federais em Alagoas.
O secretário de Segurança Pública, general reformado José Siqueira Silva, e o comandante da Polícia Militar de Alagoas, coronel Juaris Weiss Gonçalves, participaram da reunião. Segundo o secretário de Segurança, uma nova reunião foi agendada para segunda-feira, quando deverá ser feito um estudo geral dos acontecimentos relativos a situação do Estado. Durante o encontro com o general Malta, o governador agradeceu a participação do Exército. Para Barros, as tropas federais demostraram muito equilíbrio, principalmente no confronto armado contra os policiais grevistas.
O general Malta disse que os soldados que vieram de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Rio de Janeiro para essa operação em Alagoas deverão retornar a seus estados no final de semana. Para ele, a missão do Exército foi cumprida, mesmo assim parte das tropas permanecerá no quartel de sobreaviso. Assim que a reunião terminou, os soldados do Exército que estavam protegendo os prédios do Palácio, do Tribunal de Justiça e da Assembléia foram levados de volta ao quartel. O comandante da PM disse que a segurança do patrimônio público agora é de sua responsabilidade.
No primeiro dia de trabalho depois da greve, os policiais civis encontraram muito serviço acumulado pela frente. No Instituto Médico Legal foi feito um mutirão para enterrar os corpos de indigentes que lotavam as geladeiras desde a semana passada. Na frente do Instituto de Identificação formou-se uma enorme fila de pessoas para tirar carteira de identidade. Um policial foi chamado para organizar a fila e disse que a procura aumentou por causa do vestibular de julho. ‘‘É muita gente querendo identidade para se matricular’’, explicou. A movimentação também foi grande nas delegacias, que desde o início da greve não expedia boletim de ocorrência.
Com a PM nas ruas, o comércio e os bancos voltaram a ser policiados. Os estudantes poderão contar com o policiamento do Batalhão Escolar na volta às aulas, segunda-feira. E a rodada do futebol, que estava suspensa desde o início da greve, foi confirmada para este fim de semana. O comando da PM já confirmou presença dos policiais nos jogos marcados para a capital e o interior do Estado.

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