Os policiais civis grevistas de Alagoas ameaçaram ontem fazer barricadas nas entradas de Maceió e enfrentar a tiros eventuais tropas federais que venham à cidade. Policiais civis e militares, embora apresentando o primeiro racha, entraram no segundo dia de paralisação por melhorias salariais.
O Exército foi requisitado anteontem, mas o governo federal está hesitando em enviar os soldados. Especula-se que seja pelo temor do desgaste político e pelo risco real de confronto -em 1997, militares e policiais em greve trocaram tiros na capital alagoana.
O ministro-chefe do Gabinete Militar da Presidência, general Alberto Cardoso, foi enviado ontem a Alagoas, onde se reuniu com o governador Ronaldo Lessa (PSB), que quer o Exército nas ruas.
Cardoso evitou tomar uma postura definitiva. ‘‘Minha presença significa que estamos estudando. Por enquanto, o presidente não autorizou o envio de tropas, embora não esteja descartado’’, disse o general.
Lessa ficou insatisfeito com indecisão. ‘‘Já que não posso contar com o Exército, de imediato, espero que os policiais aceitem a proposta que fiz e voltem a dar segurança nas ruas’’, disse Lessa.
‘‘Vamos defender nossa autonomia, soberania e nossos direitos. Se preciso, vamos para o confronto com os soldados’’, disse o presidente do Sindipol (Sindicato dos Agentes da Polícia Civil), José Carlos Fernandes.
‘‘Estamos estudando a formação de barricadas nas três principais entradas de Maceió -norte, sul e BR-101’’, afirmou ele. Os PMs grevistas não endossaram ontem a idéia. ‘‘Será uma das propostas levadas à assembléia conjunta de agentes civis, cabos e soldados da PM amanhã (hoje)’’, disse Fernandes.
Os grevistas pretendem inclusive convocar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para montar as barricadas.
Segundo dirigentes lojistas, o comércio funcionou normalmente, sem violências, saques ou arrastões. Os bancos também mantiveram horário e atendimento normais.
Nos quartéis e delegacias, os policiais cumpriram o dia sem ir para a rua. Os policiais tiveram treinamento ou apenas jogaram futebol. Os policiais também ficaram aquartelados nas principais cidades do interior.
Tanto grevistas como governo não têm índices de adesão à greve precisos. Segundo os policiais, 30% do serviço foi mantido.

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