Curitiba - As 35 pessoas presas em Curitiba pela Operação Tentáculos estão sendo acusadas pela polícia de formação de cinco grupos criminosos, além do assassinato do major Pedro Plocharski, executado em janeiro deste ano. O envolvimento de policiais militares e ex-PMs, além de advogados, visava dar cobertura aos atos da qudrilha, disse o delegado Luiz Alberto Cartaxo Moura, que está no comando das investigações.
Conforme os depoimentos apurados ontem, a quadrilha agia em grupos de extermínio, roubo de veículos, tráfico de drogras, roubo a bancos e lojas e tráfico de armas. Segundo a polícia, os PMs também participavam dos atos criminosos. Cartaxo disse que pretende elucidar cerca de 30 homicídios, todos vinculados ao tráfico, ocorridos na região Sul de Curitiba, onde está sediado o 13º Batalhão da Polícia Militar, do qual os integrantes da quadrilha faziam parte.
O delegado pretende retomar a investigação da morte de ''Evinha do Pó'', morta em 2002. Ele acredita que a disputa pelo controle do tráfico na Cidade Industrial de Curitiba, na área do 13º BPM, possa ter ligação com membros da quadrilha presa anteontem.
Conforme a polícia, os PMs suspeitos, quando não davam cobertura, se deslocavam para outros estados para cometer crimes. Policiais militares teriam ido até Joinville para assaltar carros-forte. Outra parte do grupo se dedicava a ''impor proteção'' aos comerciantes da região Sul da Capital, em troca de pagamento. No estilo das máfias chinesa e italiana, quem não aderisse à proteção tinha as lojas assaltadas no dia seguinte.
A polícia divulgou ontem a apreensão de pelo menos R$ 1 milhão em jóias, cheques, dinheiro, carros e armas durante a continuidade do cumprimento dos 85 mandados de busca e apreensão em residências e escritórios de acusados de integrar a quadrilha.
A polícia já contabilizou mais de R$ 700 mil em cheques, R$ 50 mil em jóias e relógios, 80 celulares, 23 carros, quatro motos, mais de 50 armas de diversos calibres e grande quantidade de munições.
Na casa do traficante Eder de Souza Conde foram encontrados R$ 19 mil em dinheiro e várias armas. Na residência do soldado Sandro Delgobo, que teria ligação com o traficante Eder e com a quadrilha especializada no roubo de veículos, foram encontradas duas pistolas, uma Glock 380 e uma Magnum calibre 38, e R$ 300 em dinheiro. Outra apreensão que chamou a atenção da polícia foi feita na casa de Nizeon Ribeiro Fonseca, onde foram encontradas cerca de 80 gramas de folhas de coca.
Dálio Zipin Filho, advogado do coronel da reserva Lúcio Matos Junior e mais três envolvidos, reclamou que ainda não teve acesso ao inquérito, que já acumula três volumes, para identificar as acusações contra seus clientes. Ontem, ele passou o dia tentando remover o coronel, que foi enviado para o Centro Criminológico de Triagem do Ahú, para a sala especial do Corpo de Bombeiros, onde permanecem os PMs presos.
O advogado Nelmon José da Silva Júnior, defensor de três suspeitos e do ex-tenente Alberto Silva Santos, acusado de matar o major Plocharski, também reclamou da falta de acesso ao inquérito. Sobre seu cliente, Silva Júnior disse que há registros da entrada de Santos na CPA às 18 horas.''Se ele não estava lá, por qualquer motivo, o culpado é o Estado que não se responsabiliza pelos presos'', afirmou.

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