Imagem ilustrativa da imagem Policiais cobram melhores condições de trabalho
| Foto: Gustavo Carneiro
Entrega de coletes na 10ª Subdivisão Policial teria sido impedida pela Sesp



Policiais civis fizeram protesto, na tarde desta quarta-feira (10), em frente à 10ª Subdivisão Policial (SDP) em Londrina, para cobrar melhorias nas condições de trabalho. Uma das queixas é em relação à necessidade de troca de coletes à prova de bala que estão com a validade vencida. A categoria não descarta a possibilidade de greve.
Uma das ações previstas na manifestação era a entrega dos coletes nas subdivisões policiais. A ação foi impedida, de acordo com o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), por determinação que teria partido da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp). "A entrega dos coletes estava prevista em todas as subdivisões, no entanto tivemos a grata surpresa de que o governo do Estado deu ordem à cúpula da Sesp para não receberem os coletes vencidos. Ou seja, não bastasse os policiais estarem com seus coletes vencidos, arriscando suas vidas em cada missão, agora mais esse fardo: o policial civil terá que se deslocar até Curitiba para entregar seu colete", reclamou o presidente do Sindipol, Michel Franco.
Ele reforça que a situação é preocupante, já que a falta de coletes em condição de uso tem atrapalhado o trabalho policial. "O equipamento balístico é vital para a atividade policial. Sem ele, o risco de morte em missão é extremamente alto. Usar colete vencido é o mesmo que trajar apenas camiseta, a proteção é a mesma, tanto que é regulada pelo Exército. Há uma portaria do Exército bem clara que diz que colete vencido tem que ser destruído porque não cumpre com seu papel", acrescentou.
Em maio, o governo do Estado realizou a entrega de novos coletes balísticos em todo o Paraná, mas, segundo o Sindipol, as unidades foram distribuídas apenas para as investigadoras mulheres. "O governo (do Paraná) sempre vem com essa história de que está fazendo licitação para compra de milhares de coletes, mas o fato é que cerca de 80% dos coletes da Polícia Civil estão vencidos", apontou Franco. A orientação aos policiais que estão com os coletes vencidos é não sair em missão e realizar apenas trabalhos internos.
Outras queixas da categoria são referentes a viaturas sem condições de tráfego e desvio de função, com policiais atuando como agentes carcerários em delegacias, além de falta de pessoal. "O encarceramento de presos provisórios ou condenados em delegacias é ilegal e acontece no Paraná inteiro."
Segundo dados do Sindipol, o Estado conta atualmente com 4,3 mil policiais civis, o que representa apenas um terço do ideal. "Cerca de metade está alocada na capital e os demais estão distribuídos pelos quase 400 municípios do Estado", revelou Franco. "Não bastasse esse ínfimo número de policiais, os poucos policiais estão cuidando de carceragens, em vez de estar na rua buscando autores de crimes e trazendo de volta bens roubados", completou.
Por meio de nota, a Sesp informou que apresentou ao Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol) o cronograma de retirada de presos de delegacias, que está em andamento, assim como o processo de compra de coletes balísticos. "Esta semana foi finalizada uma licitação para a aquisição de 8 mil coletes. Estes equipamentos estão sendo testados, por procedimento padrão do Exército, para na sequência serem recebidos – o que deve acontecer nos próximos dias", informa o comunicado.
A Sesp cita ainda que a carceragem do 5º Distrito Policial, na zona norte de Londrina, foi desativada nesta quarta, com a transferência de 38 presos para a unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Ainda de acordo com a Sesp, o Departamento de Execução Penal (Depen) pretende desativar também a carceragem do 4º DP, na zona sul.

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