Policiais civis protestam contra baixos salários no Rio
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Roberta Pennafort, especial para a AE 
Rio, 29 (AE) - Policiais civis protestaram hoje - dia do policial civil e aniversário de 191 anos da corporação no Rio de Janeiro - contra baixos salários e más condições de trabalho em frente ao prédio da chefia da Polícia Civil, no centro do Rio. Com faixas e um bolo negro para lembrar o data, eles reclamaram principalmente da falta de incentivo e de desvantagens em relações a outras áreas da segurança, como a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros. Dizendo nada ter para comemorar, contararam que precisam fazer "bicos" para se manter.
A situação dos inativos seriam ainda pior, pois os aposentados não têm plano de saúde nem ganham os eventuais abonos dados aos ativos. O aposentado João Jorge Pinho Fernandes
de 48 anos, foi de cadeira de rodas à manifestação. Baleado na coluna durante uma operação policial em 1996, depois de 26 anos de serviços prestados, Fernandes foi aposentado e luta para sobreviver com R$ 700.
Segundo o inspetor Cláudio Cruz, do Núcleo de Defesa dos Policiais Civis, a má remuneração é o pior dos problemas enfretados."Não há como atender bem à população tendo que se desdobrar em uma dupla jornada: ora cumprindo suas funções na corporação ora nas empresas de segurança que oferecem bicos", reclama Cruz. Aos 42 anos - 21 deles dedicados à Polícia Civil -
o inspetor admitiu que, como agente de segurança, ganha o dobro de seu salário, de R$ 660,00.
"Do jeito que os policiais são aviltados não dá para fazer frente aos bandidos", disse Renato Ferraz, de 42 anos - metade na corporação -, com salário é de R$ 673,00. De acordo com ele, a Polícia tem hoje um déficit de 12 mil investigadores. "Mas também não adianta contratar pessoal novo para ganhar o que a gente ganha, andar em carros velhos e trabalhar em delegacias caindo aos pedaços; o mais importante é formar um bom policial que receba um salário digno", afirmou Ferraz, um dos organizadores, no Rio, da greve de policiais civis que parou várias cidades do País em 1997.
Dia do Bandido - Os policiais afirmam que o governo dá tratamento preferencial a militares e bombeiros, que contam com seguro de vida para amparar suas famílias em caso de morte e ainda com paridade para os pensionistas (quem se aposenta ganha o mesmo salário da ativa ) enquanto os direitos dos policiais civis não são atendidos. "Nosso seguro de vida não é renovado há um ano e meio e nossas famílias ficam à míngua em caso de morte do policial", contou Ferraz. E afirmou: "Hoje é o dia do bandido, não do policial".
O projeto do deputado José Guilherme Godinho Sivuca Ferreira (PPB), que obriga todo policial a declarar na ficha funcional se é dependente de drogas para obter tratamento clínico, não foi bem recebido pelos policiais. "Isso é falta do que fazer; se o policial se declarar viciado o Estado não vai fazer nada para ajudá-lo", afirmou o inspetor Cruz. O projeto aguarda sanção do governador Anthony Garotinho (PT).


