Policiais civis protestam após morte de agente
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Rubens Chueire Jr.<br>Reportagem Local 
Curitiba - Policiais civis estão de braços cruzados hoje em todo o Paraná em protesto após a morte de um agente de cadeia pública ocorrida no último domingo em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba). A categoria reivindica rapidez na transferência de presos para o sistema penitenciário.
A paralisação deve durar o dia todo. Somente casos de emergência e atendimentos de homicídios estarão disponíveis. Conforme o Sindicato das Classes Policiais do Paraná (Sinclapol), desde setembro de 2013, quando o superintendente da Delegacia de Campo Largo, Marco Gogola, foi morto durante a escolta de um preso, ficou decidido que se houvesse mais uma ação de violência contra policiais ou agentes de cadeia haveria paralisação.
A decisão sobre uma possível greve será tomada em uma assembleia hoje, a partir das 18h30, na sede do sindicato, em Curitiba.
Segundo o Sinclapol, na Delegacia de Colombo, 82 presos estavam numa área com capacidade para 24. Dois detentos conseguiram fugir. Após o ocorrido, 70 presos foram transferidos para penitenciárias da região. Um agente carcerário foi preso na tarde de ontem, suspeito de ter facilitado a entrada da arma usada na fuga. Ele teria recebido dinheiro de pessoas ligadas aos detentos.
"O problema da superlotação é histórico e reconhecemos que este governo está tratando do assunto, mas nenhuma medida efetiva foi tomada. Queremos respostas", cobrou o presidente do Sinclapol, André Gutierrez.
Segundo o Mapa da Central de Vagas da Secretaria Estadual de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju), as carceragens da região de Londrina estão com um excedente de 469 presos em relação ao total de vagas disponíveis; seguido pela região de Maringá, com 437.
Ademilson Alves Batista, presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol), comenta que a estimativa é que existam 150 policiais entre delegados, investigadores e escrivães no município e outros 150 na região. "Precisamos de, no mínimo, o dobro de policiais para toda demanda. Hoje, 80% deles estão cuidando de presos, quando deveriam estar investigando os crimes", destacou.
GOVERNO
Após uma reunião ontem à tarde entre representantes da Seju e da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), ficou definido que será apresentada hoje ao governador Beto Richa a edição de um decreto com nove determinações que, a princípio, serão aplicadas na Grande Curitiba. Para o interior ainda não há previsão. Entre as medidas elencadas estão a proibição da permanência de presos em carceragens da polícia na capital, fechamento definitivo das carceragens de nove distritos policiais de Curitiba e de 11 delegacias especializadas e transferência de 1,2 mil presos de Curitiba, região e litoral para o sistema penal em 60 dias, entre outras ações.
A secretária de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes adiantou que existe a proposta de criar comitês de transferência de presos no interior. Hoje, o grupo formado por representantes do Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública atua só na capital.
Maria Tereza reforçou que a maioria das obras de novas unidades penais já começou. As mais avançadas são as de Ponta Grossa, Campo Mourão, Piraquara e Cascavel. Em Londrina, as obras de ampliação da Casa de Custódia, do Centro de Integração Social (Cis) e da Cadeia Pública devem começar até a próxima semana.(Colaborou Marian Trigueiros)


