Policiais civis contratados ainda não podem ir às ruas
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segunda-feira, 14 de julho de 2014
Roger Pereira<br>Reportagem Local 
Curitiba Cerca de 400 policiais civis cujas contratações foram anunciadas no mês passado devem demorar um bom tempo para ir para as ruas. Segundo informação levantada pela FOLHA junto aos aprovados no concurso, nenhum dos novos investigadores contratados sequer iniciou o curso de formação policial, pré-requisito para atuar e portar arma. Sem o curso, os recém-nomeados estão atuando como estagiários nas delegacias do Estado, cumprindo funções administrativas. Segundo o Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná, Sinclapol, a demora no início do curso sempre foi uma constante na Polícia Civil, devido à capacidade da Escola Superior de Polícia, que não suporta mais que 200 alunos por turma, em cursos que duram, em média, seis meses. A situação, no entanto, teria se agravado nos últimos anos e o atraso está bem maior do que o considerado "normal" na corporação. "Não são só os recém-nomeados que estão sem curso. Tem investigadores contratados no início do ano que seguem atuando como estagiários porque ainda não realizaram o curso. O governo sempre usa o argumento da falta de recursos, mas para educação, saúde e segurança, não pode faltar recursos", disse o presidente do sindicato, André Gutierrez. A previsão é que os novos policiais não devem ir às ruas até o final deste ano.
Dos policiais contratados no início de junho, apenas os 75 novos delegados já iniciaram o curso. "É uma questão de prioridade, e a falta de delegados é mais grave, pois há comarcas sem delegados, o que é inadmissível", disse Gutierrez. A categoria ainda reclama da decisão da Escola Superior de Polícia de implementar parte do curso na modalidade à distância, o que seria mais uma forma de gerar economia para os cofres públicos. "Eles reclamam da dificuldade em trazer os policiais do interior para Curitiba, em alojar e fornecer alimentação para todos eles, mas o correto, então, seria descentralizar a escola, com a oferta do curso também no interior, em parceria com as universidades estaduais, mas não passar para curso a distância. É um curso fundamental para a carreira dos policiais, não pode ser tratado desta forma", alfinetou Gutierrez.
Outros policiais recém-formados reclamaram que, quando realizaram seus cursos, não tiveram direito a alimentação, por questão de economia.
Em nota, o Departamento da Polícia Civil informa que tem conhecimento da situação de demora em alguns casos específicos devido à capacidade da Escola Superior de Polícia Civil (ESPC) e por isso criou recentemente uma comissão interna que está trabalhando para solucionar esses problemas.
"Esta comissão também é responsável por fazer com que os novos 413 investigadores e 48 papiloscopistas recém-chamados sejam treinados e capacitados o quanto antes e possam da maneira mais rápida possível exercer a função de policial civil em sua plenitude", acrescenta a nota.
Sobre os cursos à distância, o Departamento da Polícia Civil informa que as aulas, em parceria com a Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), são dadas apenas para aqueles investigadores que ainda não foram chamados para cursar a ESPC. Se aprovado nesses módulos, o investigador pode abatê-los do curso presencial. Quanto à alimentação, a Polícia Civil reconhece que "aconteceram algumas adequações da Secretaria e Estado da Fazenda no final do ano passado e começo deste, que fizeram com que alguns serviços fossem prejudicados por alguns dias", mas a questão já foi equacionada.


