Policiais civis e militares baianos rejeitaram simbolicamente o aumento de 21% escalonado, concedido pelo governo, e encerraram oficialmente a greve de 13 dias, em assembléia ontem à tarde, no ginásio de esportes do Sindicato dos Bancários, no centro de Salvador. Os policiais resolveram dar um prazo de seis meses para o governador César Borges (PFL) estudar um aumento maior (de 33% sobre as gratificações, além dos 21% sobre o piso)
Pela manhã, houve resistência entre os grevistas que ocupavam o quartel do Corpo de Bombeiros por causa de supostas ameaças feitas pelos oficiais que não aderiram ao movimento. Mas o comando de greve conseguiu contornar o problema e convencer os colegas a voltarem ao trabalho.
Cerca de 700 pessoas participaram da assembléia, grande parte usando as fardas da corporação, entre elas integrantes da Tropa de Choque, o que animou os sindicalistas ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT), que observavam a assembléia.
Os líderes do movimento fizeram discursos ácidos contra o governo baiano, ressaltando que os policiais resolveram encerrar a greve para não prejudicar a população e qualificando os 21% de reajuste de ‘‘miséria’’. O sargento Manoel Isidório de Santana, disse que ‘‘quando Deus comanda o movimento tudo dá certo, pois governador e presidente de República não são maiores que Deus e Ele vai estar observando essa nossa guerra contra os inimigos do povo’’. Já o presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Crispiniano Daltro, disse que a greve foi vitoriosa pois pela primeira vez foi possível unir as policiais civis e militar. (A.E.)

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