Os cinco policiais militares do Rio acusados de matar por asfixia o homem que sequestrou o ônibus da linha Gávea-Central, segunda-feira, agiram ‘‘no estrito cumprimento do dever e em legítima defesa’’, afirmaram ontem seus advogados, Chaia Ramos e Daniele Braga. Segundo os advogados, os policiais procuraram defender ‘‘a própria vida e também a da sociedade’’.
Os cinco policiais -o capitão Ricardo de Souza Soares e os soldados Luiz Antônio de Lima Silva, Márcio de Araújo David, Paulo Roberto Monteiro e Flávio do Val Dias- depuseram ontem na Delegacia de Polícia, na Gávea, que investiga o caso. Eles chegaram num carro do Batalhão de Operações Especiais e usavam a farda preta e o boné do batalhão. Não deram declarações.
Os advogados disseram que o sequestrador resistiu à prisão e que seus clientes tiveram dificuldades para imobilizá-lo porque não tinham algemas. Eles criticaram a ‘‘precariedade das condições de trabalho’’ da polícia. O policial Paulo Roberto de Alves Monteiro chegou para depor com o braço esquerdo imobilizado. Seus advogados apresentaram duas versões para a causa da suposta fratura do braço.
Daniele Braga disse que Monteiro teve o braço esquerdo quebrado quando o sequestrador tentou pegar a arma de outro soldado. Isso teria ocorrido dentro do carro do Bope em que os cinco policiais levaram o sequestrador para o hospital Souza Aguiar, onde ele chegou morto.
Depois, Chaia Ramos afirmou que Monteiro quebrou o braço ainda do lado de fora do camburão, quando os policiais tentavam dominar o assaltante. A advogada Daneila Braga disse que o capitão Ricardo Soares admitiu que aplicou uma ‘‘gravata’’ no sequestrador.
O depoimento dos médicos que estavam de plantão no Souza Aguiar e que receberam o corpo de Sandro do Nascimento foi transferido para segunda-feira. Um deles assinou o atestado de óbito onde constava que Nascimento chegou morto ao hospital.

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