Belém, 12 (AE) - O presidente da Associação dos Sargentos, Cabos e Soldados da Polícia Militar do Pará, Luiz Fernando Furtado, afirmou hoje que os 150 policiais militares que vão ser julgados pelo massacre de Eldorado dos Carajás, a partir de segunda-feira (16), "estão com os nervos à flor da pele e ameaçam fugir se os oficiais forem condenados". Os oficiais serão os primeiros a ir a júri popular.
Para evitar que a ameaça se concretize, Furtado pediu ao comandante-geral da PM, Faustino Neto, que dispense do trabalho os militares envolvidos até o final do julgamento, previsto para terminar no dia 3 de dezembro. O presidente da Associação também se diz preocupado com a maneira como os réus estão sendo tratados. "Ninguém está tendo cabeça para continuar atuando nas ruas sabendo que poderá, nos próximos dias, ser condenado a vários anos de prisão por crimes dos quais muitos são inocentes".
Furtado comentou a presença, no julgamento, do governador Almir Gabriel (PSDB) e do secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Paulo Sette Câmara, arrolados como testemunhas de defesa dos 150 militares. "Isso vai atrapalhar o julgamento, pois o governador e o secretário serão ouvidos na residência oficial e não no auditório da Unama, onde estarão todos os acusados. Haverá dificuldades se um advogado pedir uma acareação entre os réus e as testemunhas".
O advogado Jânio Siqueira, um dos defensores dos três oficiais que serão julgados na segunda-feira - o coronel Mário Pantoja, o major José Maria Pereira de Oliveira e o capitão Raimundo José Almendra Lameira -, está tentando afastar do caso o promotor Marco Aurélio Nascimento. "Ele não atuava na comarca onde ocorreram os fatos e isso contraria a lei", justificou. Indignado, o promotor reagiu: "Estou espantado que um advogado da estirpe do doutor Jânio Siqueira não tenha lido o processo. Se o fizesse, saberia que nada há de errado com a minha indicação. Fui designado pelo procurador-geral de Justiça de acordo com a Lei nº 8.625".

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