Moscou, 04 (AE-REUTERS) - Uma unidade de elite da polícia russa voltou a realizar inspeções hoje (04) em empresas do magnata Boris Berezovski, acusado na quarta-feira de manter uma rede de escuta telefônica com a finalidade de gravar conversas do presidente Boris Yeltsin e seus parentes.
Mais de 200 agentes de segurança participaram das diligências de hoje, que foram feitas em firmas de Berezovski vinculadas comercialmente com a companhia aérea Aeroflot, da qual ele é acionista.
A Procuradoria-Geral investiga vários diretores acusados de atividades empresariais ilícitas e de infringir a lei de controle de divisas. Na sexta-feira, o presidente da Aeroflot, Valeri Okulov, que é genro de Yeltsin, demitiu o diretor da companhia e outro alto funcionário, ambos com estreitos vínculos com o magnata, e ordernou uma rigorosa inspeção nas representações da Aeroflot no exterior.
Ontem, foram inspecionadas 20 empresas do magnata, incluindo a Sibneft - a maior de suas três empresas petrolíferas, produtora de 6% do petróleo russo. Todas essas ações ocorreram em meio a fortes rumores de uma ruptura entre Berezovski e o Kremlin, no qual ele tem sido a eminência parda nos últimos anos, segundo analistas políticos locais.
O empresário tem criticado as ações do primeiro-ministro Yevgueni Primakov, que teria contra-atacado pressionando para que a Procuradoria-Geral ordenasse as inspeções. A imprensa russa especula que as relações entre Primakov e Yeltsin também estão estremecidas, tecendo um quadro de feroz luta de poder no Kremlin à medida que se aproximam as eleições parlamentares de dezembro e as presidenciais de 2000.
Por causa de sua frágil saúde, Yeltsin pouco tem aparecido no Kremlin. Ele esteve dez dias internados por causa de uma úlcera e atualmente está convalescendo numa clínica perto de Moscou, onde deverá ficar nas próximas duas semanas. No entanto, na terça-feira, o presidente foi inesperadamente ao Kremlin para demitir o procurador-geral Yuri Skuratov - que anunciou sua demissão por motivo de doença.
A procuradoria considerou ilegal o fato de nos últimos cinco anos o Banco Central ter cedido a adminsitração de recursos do Estado a uma empresa particular com sede nas Ilhas do Canal e com capital inicial de apenas U$ 1 mil.

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