A titular da Delegacia de Homicídios, Marta Cavallieri, vai ouvir novamente amanhã o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, suspeito de ter matado 131 pacientes do Hospital Municipal Salgado Filho. A delegada quer que as declarações que Guimarães fez anteontem, a deputados da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, constem do inquérito policial. O auxiliar de enfermagem disse aos deputados que está sendo ameaçado de morte e que é ‘‘peixe pequeno’’ da ‘‘máfia das funerárias’’.
As novas informações prestadas por Guimarães farão parte de um segundo inquérito, no qual Marta começa a trabalhar a partir de amanhã, depois de entregar ao Ministério Público o inquérito referente à morte de duas pacientes do Hospital Salgado Filho, ocorridas no último dia 7, que resultou na prisão em flagrante do auxiliar de enfermagem.
No novo inquérito, a delegada pretende investigar a ocorrência de comercialização de órgãos dentro do hospital e a existência de uma ‘‘máfia das funerárias’’, que, além de subornar funcionários do hospital para conseguir corpos, estaria intermediando o recebimento do seguro obrigatório e ficando com boa parte do dinheiro destinado às famílias das vítimas de acidente.
As declarações de Guimarães feitas aos deputados podem auxiliar na investigação. O auxiliar de enfermagem contou que entrou para a ‘‘máfia das funerárias’’ há dois meses e que ganharia cerca de R$ 100 por cada corpo, mas não recebeu o dinheiro porque foi preso antes. ‘‘Muita gente ficou rica’’, denunciou. Ele disse também estar sendo ameaçado de morte por Geraldo Magella Monge, dono da Funerária ‘‘Frei Rogério’’. Magella foi ouvido pela delegada e negou qualquer irregularidade em seu negócio.
Guimarães não confirmou, no entanto, que exista comercialização de órgãos no hospital, como foi denunciado por parentes de suas supostas vítimas. O vice-coordenador do RioTransplante, Joaquim Ribeiro, acha impossível a existência de um esquema de comercialização de órgãos dentro do Salgado Filho. A retirada de órgãos para transplante só é possível quando o paciente tem morte cerebral mas seu coração continua batendo. Isso não ocorreu no Salgado Filho, onde as pessoas morreram de parada cardiorrespiratória.
‘‘Para que a captação seja feita, o diagnóstico de morte cerebral deve ser assinado por dois médicos provenientes de lugares diferentes’’, disse. ‘‘Quando o RioTransplante é acionado, envia uma equipe própria ao local e só esse pessoal tem autorização para fazer a retirada do órgão.’’ Ribeiro disse ainda que apenas duas captações foram feitas no Salgado Filho nos últimos dois anos e que nunca recebeu nenhuma denúncia de tráfico na unidade.Frederico Rozario/AE(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)DenúnciasEdson Izidoro, entre dois deputados, será ouvido de novo amanhãDelegada vai abrir inquérito para apurar denúncias de auxiliar de enfermagem

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