Abatiá A Polícia Civil de Ribeirão do Pinhal (57 km a oeste de Jacarezinho) abriu inquérito para investigar a prisão de um fazendeiro e três funcionários da fazenda Linda Flora, em Abatiá (61 km a oeste de Jacarezinho), por um grupo de trabalhadores sem-terra. Mário Vilela Magalhães, proprietário da área, e os funcionários teriam sido presos na madrugada de anteontem por pessoas ligadas à Organização Agrária Camponesa (OAC). Através da ação da Polícia Militar (PM), eles foram liberados no início da tarde do mesmo dia.
Segundo o capitão Antônio Carlos de Moraes, comandante da 1 Companhia do 2º Batalhão da PM em Santo Antônio da Platina, a fazenda Linda Flora foi invadida por aproximadamente 20 famílias no início de julho. Dias depois, a Justiça concedeu a reintegração de posse a Magalhães e, diante da ordem judicial, policiais cumpriram a liminar. ''A desocupação foi pacífica'', comentou.
Com autorização do proprietário da fazenda Bom Pastor, que fica vizinha à Linda Flora, o grupo montou as barracas na propriedade limítrofe. No último final de semana, quatro famílias invadiram novamente a área de Magalhães. Como o fazendeiro possuía um interdito proibitório, a polícia foi mais uma vez chamada e, no domingo, retirou os ocupantes.
Na segunda-feira, conforme o capitão da PM, Magalhães teria montado uma barraca dentro de sua propriedade para observar a movimentação dos trabalhadores na fazenda vizinha. Anteontem, ele acabou capturado com os funcionários. Comunicada no final da manhã do mesmo dia, a polícia liberou os quatro sem resistência dos sem-terra.
Cinco integrantes da OAC assumiram a ação e serão investigados pela Polícia Civil por cárcere privado e lesão corporal. O fazendeiro, segundo Moraes, acusa os trabalhadores de o terem agredido com uma paulada. ''Ele apresentava uma escoriação na testa'', relatou. Os investigados são Carmo Roberto Gonçalves, Carlos Roberto Mazzarro, Adriano Dias de Souza, Roberto Martins Bezerra e Laércio Arruda Proença.
A advogada de Magalhães, Léia Fernanda de Souza Ritt, acrescentou que os trabalhadores sem terra estariam armados. ''Eles (os membros da OAC) serão processados'', reforçou. Em busca no local, a PM não encontrou armas.
Pedro Xavier Dias, coordenador da OAC, disse que os trabalhadores prenderam o fazendeiro e os funcionários por achar que fossem um grupo de ''pistoleiros''. ''Eles chegaram à noite e ficaram rondando nosso acampamento, que estava do outro lado da cerca'' justificou. O líder afirmou o fazendeiro não
ao foi agredido.

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