A polícia fluminense anunciou ontem que vai deflagrar uma megaoperação em hospitais municipais e estaduais das redes pública e privada do Rio para investigar todas as mortes ocorridas nessas unidades nos últimos dois anos. A operação fará parte do segundo inquérito aberto pela delegada Marta Cavalliere para investigar as mortes supostamente provocadas pelo auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães no Hospital Salgado Filho. Há suspeitas de que casos semelhantes possam ter ocorrido em outros hospitais.
O segundo inquérito tem outras linhas de investigação, além das mortes assumidas por Guimarães. ‘‘Vamos investigar tudo o que disser respeito a crimes praticados em decorrência desses óbitos, como fraudes em atestados de óbito’’, disse a delegada.
A polícia vai pedir aos hospitais que enviem relatórios com o número de mortos e a relação dos profissionais que estavam de plantão no momento dessas mortes, para depois cruzar os dados. Serão apuradas suspeitas de falsificação de atestados para obtenção de seguros. ‘‘Já tenho uma equipe em contato com um funcionário da Fenaseg (Federação Nacional das Seguradoras) para trocar informações, disse Marta Cavalliere.
Em depoimento à delegada, o almoxarife José Mario Florêncio, de 37 anos, disse ontem ter pago R$ 570 ao auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães por serviços relativos ao enterro de sua mulher, Ednéia Medeiros Florêncio, de 34 anos. A funerária seria a Frei Rogério. O pagamento teria sido feito numa sala ao lado do necrotério, no subsolo do Salgado Filho, no dia 12 de dezembro do ano passado, dia em que Guimarães estava oficialmente de licença médica.
A versão desmente depoimento do auxiliar de enfermagem. Ontem, Guimarães afirmou à delegada jamais ter recebido dinheiro para intermediar negócios entre funerárias e familiares de mortos no Salgado Filho. ‘‘Ele me mostrou a tabela de serviços funerários e se apresentou como intermediário da funerária’’, disse Florêncio, que teria pago R$ 170 em dinheiro e R$ 400 em cheque pré-datado.

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