Agência Estado
De Belém
A Polícia Civil do Pará vai abrir inquérito para apurar suposta tentativa de suborno envolvendo o jurado Silvio Mendonça. Segundo acusação de Fernando Brito, também jurado, Mendonça teria lhe perguntado se por R$ 3 mil ‘‘morria a favor do coronel’’ para absolvê-lo no julgamento do massacre de Eldorado dos Carajás. Brito não estava entre os jurados que absolveram o coronel, mas garante ter sido sondado por Mendonça em ‘‘tom de brincadeira’’.
O pedido de abertura de inquérito foi feito pelo promotor Miguel Bahia, chefe da Promotoria Criminal do Ministério Público. A primeira pessoa a ser ouvida será a vice-prefeita de Belém, Ana Júlia Carepa, autora da denúncia publicada pela revista ‘‘Época’’ nesta semana.
O jurado Silvio Mendonça, durante entrevista ontem na Delegacia de Investigações e Operações Especiais (Dioe), onde compareceu protegido por seguranças particulares e da própria polícia, afirmou que vem sofrendo ameaças de morte. Ele acusou Fernando Brito de ser assessor da vice-prefeita e disse tê-lo visto, durante o julgamento, conversando com militantes do MST e com a própria vice-prefeita. O jurado levou para a entrevista o jurado Vanderlan. Ele disse que nunca ouviu nenhuma proposta de suborno. E denunciou que também está sofrendo ameaças anônimas. ‘‘Minha casa foi arrombada na mesma noite do julgamento, depois do resultado’’, disse.
Mendonça negou exercer ilegalmente a profissão de contador por não ter registro no Conselho Regional de Contabilidade (CRC). ‘‘Sou formado em contabilidade, mas não atuo. Portanto, não posso ser um falso contador’’, reagiu, mostrando seu diploma da Unama.
Condenado pelo CRC a pagar 400 Ufir de multa por exercício ilegal da profissão, Mendonça disse que sequer recebeu notificação da entidade para que pudesse se defender. O momento mais tenso da entrevista foi quando, ao responder a uma pergunta sobre se existiria algum preço para ele dar seu voto a favor dos réus da Polícia Militar, Mendonça respondeu, literalmente: ‘‘Eu fui um jurado que vim tendenciando meu julgamento contra os PMs e fiz o doutor Américo Leal motivar a acareação entre dois coronéis’’.
O repórter, querendo esclarecer a resposta, perguntou se Mendonça confessava que vinha sendo tendencioso a favor dos PMs. O advogado Antonio Neto, defensor do jurado, levantou-se e acusou o repórter de querer prejudicar seu cliente. Mendonça, logo em seguida, desabafou: ‘‘Eu gostaria de saber por que vocês (a imprensa) querem tanto me incriminar’’.

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