Polícia vai apurar ação de máfia das funerárias em hospitais do RJ
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 12 (AE) - Um megalevantamento dos óbitos nos últimos dois anos em hospitais e clínicas do Rio de Janeiro foi anunciado hoje pela delegada de Homicídios, Marta Cavalliere. O objetivo é verificar a possível ação da máfia das funerárias dentro dos hospitais, através de funcionários. No Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio, o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, de 42 anos, confessou ter matado cinco pacientes aplicando injeções de cloreto de potássio ou retirando a máscara de oxigênio. Ele disse que recebia por indicações feitas às funerárias.
Guimarães é acusado pela polícia de matar 131 pacientes e de receber dinheiro das funerárias por informações sobre os óbitos. Tão logo ocorriam mortes no Salgado Filho as famílias das vítimas eram procuradas pelos membros da "máfia", integrada por funcionários do hospitais e agentes funerários.
A megaoperação envolverá todos os policiais de delegacias especializadas e começará na segunda-feira. Amanhã (13) as direções dos hospitais municipais, estaduais e instituições privadas serão comunicandas sobre a operação, determinada pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Josias Quintal.
"Vamos fazer um levantamento de todas as mortes ocorridas nos hospitais e como elas ocorreram", disse a delegada. Marta explicou que será recolhidas informações sobre óbitos, quadro de médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem que estiveram de plantão nos dias das mortes. A polícia também vai investigar os nomes e a quantidade de funerárias que atuam nos hospitais do Estado, do município e privados."Queremos verificar se existe irregularidade e envolvimento de funcionários e agentes funerários", afirmou Marta.
Seguro - A delegada informou ter recebido hoje um ofício da Federação Nacional das Empresas de Seguros Privados e de Capitalização (Fenaseg) alertando para a possibilidade de que muitos atestados de óbitos do Hospital Salgado Filho podem ser falsos. A fraude consiste, segundo análise da Fenaseg, na troca de informações sobre a causa da morte. Indicando que o óbito foi por acidente, é mais fácil a obtenção do seguro.
A delegada informou já ter ouvido os dois funcionários do Salgado Filho denunciados por Guimarães. Eles trabalharam com o auxiliar de enfermagem. No depoimento, um deles confirmou a existência da "máfia das funerárias" no Salgado Filho e o outro disse desconhecê-la.


