Beirute, 17 (AE-AP) - A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar cerca de 2 mil estudantes que protestavam na frente da Embaixada dos Estados Unidos em Beirute contra o que consideram ser o apoio americano aos ataques aéreos israelenses no Líbano na semana passada.
Pelo menos três estudantes desmaiaram por causa do gás, segundo testemunhas.
Os estudantes, da Universidade Americana de Beirute (AUB) e outras universidades, promoveram a manifestação hoje um dia depois de um protesto semelhante realizado ontem no campus da AUB que espalhou-se pelas ruas de Beirute. Então, eles pediram a expulsão do embaixador americano do Líbano.
Tropas libanesas e a polícia haviam cercado o complexo da Embaixada dos EUA em Aukar, um subúrbio cristão no norte de Beirute. As forças de segurança tentaram dispersar os manifestantes, que gritavam "Morte à América" e "Morte a Israel".
Os estudantes jogaram pedras e tomates nas tropas, segundo testemunhas. Não foram registrados feridos entre policiais e soldados.
Mais cedo este mês, aviões de combate israelenses destruíram três estações elétricas e uma base do Hezbollah no Líbano, ferindo pelo menos 15 civis. Os ataques foram uma retaliação a uma série de operações mortais da guerrilha contra forças de ocupação israelenses no sul do Líbano. Os ataques do Hezbollah mataram sete militares israelenses desde 25 de janeiro.
Também hoje, o primeiro-ministro do Líbano considerou como uma "perigosa escalada" a decisão de Israel de formar um comitê ministerial de três integrantes que terá o poder de ordenar ataques retaliatórios imediatos no Líbano.
Salim Hoss afirmou que a formação do comitê "demonstra a ilimitada arrogância do poder de Israel". Ele pediu aos Estados Unidos e França para condenarem a iniciativa.
O gabinete de segurança de Israel deu na quarta-feira poderes ao comitê para ordenar bombardeios aéreos no Líbano em resposta a ataques contra suas tropas no país. Ele é formado pelo primeiro- ministro Ehud Barak, o ministro do Exterior David Levy e o ministro do Transporte Yitzhak Mordechai.
"Ficamos surpresos com esta perigosa escalada na posição israelense", disse Hoss a repórteres. Ele também fez contatos com os ministros do Exterior da Síria, Egito, Kuwait e Jordânia, assim como com o secretário-geral da Liga árabe, Esmat Abdel-Meguid, exigindo uma ação contra Israel.
Um comitê menor oferece uma flexibilidade tal que poderia significar ataques israelenses contra alvos da infra-estrutura libanesa minutos depois da morte de um soldado de Israel. O Hezbollah, apoiado pelo Irã, lidera uma guerra de guerrilha para expulsar as tropas israelense da autoproclamada zona de segurança que Israel estabeleceu no sul do Líbano em 1985.
Os comentários de Hoss foram feitos em meio a uma crescente irritação no Líbano com a posição assumida pelos EUA durante as últimas hostilidades, considerada de apoio a Israel. A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, tem acusado o Hezbollah de ser o inimigo da paz.
Os ataques israelenses provocaram revolta também em outros países do mundo árabe.
O ministro do Exterior egípcio, Amr Moussa, disse hoje que seu país não aceita a continuação "da agressão de Israel contra civis e instalações civis libaneses", segundo a Agência de Notícias do Oriente Médio.
O presidente do parlamento do Egito, Ahmed Fathi Sorour, cancelou um encontro marcado para 5 de março que seria atendido pelos líderes dos parlamentos de Israel, Jordânia e Itália. A reunião foi cancelada em protesto contra os ataques israelenses no Líbano, informou Sorour a repórteres no Cairo.
No Kuwait, crianças brandindo metralhadoras de brinquedo uniram-se hoje a adultos agitando bandeiras na frente da Embaixada libanesa em apoio ao Hezbollah.

mockup