São Paulo, 14 (AE) - O grupo de sem-teto que ocupava um prédio na Avenida Brigadeiro Luís Antônio desde outubro mudou-se hoje para dois galpões na Bela Vista, no centro. A reintegração de posse foi pacífica. Quando os carros da Polícia Militar chegaram ao edifício, às 6 horas, a mudança de quase todas as famílias havia sido feita. Um acordo entre os invasores, os policiais e os donos do imóvel garantiu tranquilidade à retirada.
Das cerca de 100 famílias que estavam no prédio, 61 foram para os galpões da Rua Conde de São Joaquim. As demais encontraram abrigo na casa de parentes ou voltaram a pagar aluguel. No novo abrigo provisório, as dificuldades são maiores. Os dois galpões têm três banheiros para mais de 400 pessoas. Além das famílias que estavam na Brigadeiro Luís Antônio, o lugar abriga as pessoas que estavam num imóvel na Avenida Senador Queirós.
"O prédio da Brigadeiro era um palácio", disse o ambulante José Vieira da Silva, de 29 anos, referindo-se às condições precárias dos galpões. No telhado da construção há goteiras. O espaço, cerca de 2 mil metros quadrados, é pequeno para o número de famílias e seus móveis. Silva deixou de pagar aluguel tão logo nasceu Daiana, sua filha. Aos 3 anos, ela sorri todo o tempo, apesar do colchão jogado no chão e da sensação de frio causada pela umidade das paredes.
Apesar das dificuldades, Silva não pensa em voltar para Alagoas, onde nasceu. "É muito mais difícil viver lá." O baiano Lourival Rodrigues, de 43 anos, vive a mesma situação. Chegou a São Paulo há um ano e faz dois meses vive em imóveis ocupados pelos sem-teto. Marceneiro de profissão, desempregado aqui e em Camaçari, onde ainda moram sua mulher e os quatro filhos, ele não pensa em voltar. Ao contrário. "Vou trazer minha família para cá", disse. "Mesmo com toda dificuldade, aqui é mais fácil para sobreviver."

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