Polícia tentar fazer retrato falado de suspeito de matar ecologista
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terça-feira, 23 de fevereiro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo 
Rio, 24 (AE) - A polícia de Angra dos Reis, no sul do Estado do Rio, tenta compor o retrato falado do suspeito do assassinato do advogado e ecologista álvaro Marques de Oliveira, de 66 anos, através do depoimento de testemunhas. Oliveira era diretor da Sociedade Ecológica para Recuperação da Natureza (Serena), e foi morto, ontem, com dois tiros nas esquinas da Rua do Comércio com a Praça da Matriz, um dos pontos mais movimentados do centro daquela cidade. As balas atingiram a cabeça e o peito da vítima, que morreu antes de chegar ao hospital. O ecologista foi enterrado hoje no cemitério Sulacap, na zona oeste do Rio.
O advogado estava ao volante da Fiorino placas LAT 9234, do Rio, esperando a mulher, Terezinha dos Santos Oliveira, 63 anos, que havia saído para resolver assuntos ligados à Serena, quando o assassino disparou os tiros à queima roupa. O crime aconteceu por volta das 13 horas. Apesar de haver muita gente no local, a polícia está com dificuldades para colher depoimentos. "As pessoas têm medo de falar", disse o delegado Fernando Albuquerque, da 1ª Divisão Regional de Polícia do Interior, responsável pelo caso.
O motivo do crime seria a disputa por lotes de terras na Ilha do Sandre, no litoral do município, onde o ecologista tinha comprado um terreno. Segundo Terezinha, em novembro do ano passado, o casal chegou a sofrer um atentado. Um grupo de três pessoas encapuzadas disparou dez tiros em direção à casa do ecologista. Apesar de levar o caso ao conhecimento do juiz da 1ª Vara de Angra, Rossidésio Lopes, e ao tenente-coronel Renato Barbosa, da 2ª Companhia Independente de Polícia Militar, nenhuma providência teria sido tomada. As ameaças, porém, não cessaram. Tanto o tenente- coronel Barbosa quanto o juiz Lopes não quiseram falar sobre o crime.


