Uma equipe da Polícia Civil do Acre seguiu ontem para o seringal Lavras, a 120 km de Tarauacá (466 km de Rio Branco), para tentar resgatar os corpos dos seis agricultores mortos em supostos rituais religiosos entre os dias 15 e 18.
A equipe, formada por um médico legista, um perito criminal e dois policiais, passaria três horas em burros, duas em barco e uma em avião pequeno para recolher os corpos que estão espalhados na mata. A viagem da equipe, prevista para anteontem, foi adiada por causa de um temporal.
Os agricultores - três crianças, dois homens e uma mulher - foram mortos supostamente em rituais de exorcismo liderados por Francisco Bezerra de Morais, 35 anos, o ‘‘Totó , que se intitulava pastor da Igreja Pentecostal Unidos do Brasil, o que é negado pela direção da igreja. Morais e outros cinco agricultores acusados pelos assassinatos estão presos na delegacia de Tarauacá.
O secretário de Segurança Pública do Acre, Samoel Martins Evangelista, 41 anos, que esteve no local, disse ontem que os assassinos agiram ‘‘movidos por um fanatismo extremado aliado à ignorância’’. Os crimes teriam ocorrido durante pregações nas casas das vítimas.
Os cerca de cem moradores do seringal Lavras são ‘‘quase todos analfabetos e a dificuldade de acesso à região deixa o Estado ‘sempre ausente’’’, segundo o secretário.
Nos depoimentos coletados pela polícia, os agricultores revelaram que após as últimas mortes, ocorridas no dia 18, eles foram ao ponto mais alto do seringal, um morrinho, rasgaram e queimaram suas roupas e, nus, aguardaram ser ‘‘arrebatados pelos anjos’’ (levados para o céu). Como nada ocorreu, o grupo se dispersou e só foi preso quando a polícia investigava as denúncias do ‘‘pastor anterior’’, Francisco Oliveira de França, 32 anos.
França havia sido destituído por Morais e ‘‘castigado com surras’’ pelos fiéis. Ele procurou então a Polícia Civil de Tarauacá e denunciou que pessoas estavam sendo espancadas no seringal.
O secretário de Segurança Pública disse que não há indício de que o grupo tenha ingerido bebida alcoólica ou alucinógena.
Quatro dos seis acusados dos crimes foram submetidos ontem a exame de corpo de delito no hospital de Tarauacá. Os seis estão presos na delegacia da cidade e deverão ter assistência jurídica do defensor público Martiniano de Siqueira, que está tendo acesso às acusações para poder elaborar a defesa.
Há suspeita de que pelo menos mais uma pessoa morreu no meio da floresta. A provável vítima teria conseguido fugir depois de ter o corpo parcialmente incendiado pelos religiosos.O corpo não foi localizado.

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