Polícia tenta localizar 40 contêineres de mogno
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segunda-feira, 10 de dezembro de 2001
Rosane Henn<bR>De Curitiba 
Agentes da Receita Federal, Polícia Federal e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) pretendem apreender esta semana 40 contêineres de mogno, que fariam parte de um carregamento a ser exportado de forma ilegal para a África. Do continente africano, a madeira seguiria para o mercado europeu. Na madrugada de sábado foram apreendidos cerca de 32 contêineres no Depósito Tropical, em Paranaguá (Litoral). Essa foi a maior apreensão de mogno já realizada no Estado.
Segundo o chefe de Fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Mattoso Ditter, ontem foram realizadas buscas no Porto de São Francisco do Sul, em Santa Catarina, mas a madeira não foi encontrada. A carga pertence à Madeireira Pau Brasil, com sede no Pará. ''Cada contêiner comporta 35 metros cúbicos e cada metro vale no mercado entre US$ 800 e US$ 1.000, portanto o total da carga deve estar valendo cerca de US$ 1,2 milhão'', explica.
De acordo com o delegado da Polícia Federal em Paranaguá, Evaristo Kuceki, a apreensão começou após denúncias anônimas. Segundo essas denúncias, as 40 toneladas de mogno estariam prontas para serem embarcadas no porto catarinense, mas ele assegura que a operação não foi realizada. Ele acredita que a madeira esteja escondida em depósitos particulares na região.
Kuceki informou ainda, que hoje a Polícia Federal vai começar as investigações sobre irregularidades no desaparecimento de 1.050 metros cúbicos da empresa Red Madeiras, de Curitiba. A polícia acredita que a Red Madeiras tenha ligações com a paraense Pau Brasil e sirva como intermediária na exportação da madeira.
Cerca de 20 policiais federais e fiscais do Ibama e da Receita Federal trabalham na operação. O chefe da Fiscalização do Ibama diz ter certeza que nos próximos dias o restante da carga será apreendido. ''Esta semana vamos conseguir apreender o mogno'', garante Paulo Roberto Mattoso Ditter.
O corte, o transporte e a comercialização do mogno estão proibidos em todo o País desde o dia 19 de outubro, de acordo com Instrução Normativa 17/01 do Ibama. A exportação também está proibida porque a madeira está em extinção.
Em seu depoimento à Polícia Federal, o responsável pelo Depósito Tropical, Jair Luiz Dias do Nascimento, alegou que a carga pertence à Pau Brasil e que sua empresa apenas estocava o material. O depósito foi autuado por armazenar mogno sem registro de procedência. A multa é de R$ 500,00 por metro cúbico de madeira estocada.


