A polícia tem o retrato falado de skinheads que vêm ameaçando a Anistia Internacional em São Paulo, feitos a partir do depoimento do professor de educação física José Eduardo Bernardes da Silva, um dos alvos de encomenda-bomba de anteontem.
Silva escapou de pelo menos três emboscadas nas ruas da capital nos últimos 12 meses. Nessas situações, ele viu rapazes do suposto grupo neonazista armados com correntes e tacos de madeira.
Ele descreve os agressores assim: ‘‘Bem arianos’’ - pele e olhos claros-, andam em carros ‘‘bons’’ e têm conhecimento de tecnologia - fazem as ameaças por telefone e desligam antes de o número de origem ser rastreado.
O grupo que está fazendo ameaças por telefone também fala inglês, alemão e francês, além do português, conforme mostram gravações da Anistia. ‘‘Eles afirmam que têm ligações internacionais muito fortes e que, aqui no Brasil, têm gente muito poderosa que os patrocina’’, afirmou Silva.
Ontem, o secretário da Segurança Pública Marco Vinicio Petrelluzzi se recusou a passar informações sobre os envolvidos com os atentados. ‘‘Não tenho tanta certeza de que são skinheads, mas não posso adiantar nada agora.’’ As duas bombas enviadas por Sedex ‘‘driblaram’’ um sistema de segurança postal dos Correios implantado há cerca de três meses.
Quinze capitais receberam no final do primeiro semestre quatro tipo de aparelhos de fiscalização: detector de metais, detector de bomba, espectômetro de massa (para identificar drogas) e raio X. Neste ano, já foram gastos R$ 8,2 milhões em segurança postal.(A.F.)

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