Salvador, 27 (AE) - A Polícia baiana já tem pistas do mandante da execução de quatro presos, na madrugada de hoje, no município de Irecê, na região central do estado. O principal suspeito é o chefe de uma quadrilha de assaltantes de banco e traficantes de drogas que atua na região, conhecido por Malaquias, líder do crime organizado no município vizinho de Xique-xique.
A delegada de polícia Florisbela da Rocha está reunindo indícios para solicitar da Justiça um mandado de busca e apreensão para invadir a propriedade de Malaquias em busca de provas de sua atividade criminosa.
Segundo o tenente da Polícia Militar, Gilberto Souza, chefe do Núcleo de Inteligência da Companhia Independente de Irecê, Malaquias é o maior beneficiado na morte dos presos, que, de acordo com as investigações, trabalhavam sob seu comando e estavam prestes a denunciar seus crimes.
"Infelizmente, não temos prova, mas sabemos que quem planejou a chacina é o chefe desta gangue que aterroriza a região", disse o tenente. O policial apurou que Malaquias disfarça o plantio e comercialização de maconha com uma suposta roça de cebola, que serve apenas de fachada. "Sabemos que a cebola não está dando preço suficiente para um agricultor sustentar os 50 funcionários da fazenda, que na verdade atuam como pistoleiros e traficantes", afirmou o tenente.
De acordo com informações da Polícia, Malaquias veio do município de Floresta, em Pernambuco, para se instalar em Xique-xique. Uma das vítimas da chacina, o traficante de drogas Iderlúcio de Oliveira, mais conhecido por Pescoço, estava preso desde o mês passado, ao ser flagrado com 75 quilos de maconha.
Era ele quem vinha alertando os outros três presos mortos, os assaltantes Patrício Alves da Silva, Márcio Leandro Gomes de Queiroz e Marcos Nunes Nogueira, para não delatarem à Polícia a quadrilha comandada por Malaquias, que havia tentado, sem sucesso, a libertação dos quatro, por meio de um habeas corpus solicitado pelos advogados contratados pelo líder da gangue.
Por volta de uma hora da madrugada, erca de 15 homens armados de pistolas e espingardas renderam os dois agentes policiais e dois soldados que estavam de plantão, na cadeia pública, que fica em um local afastado, em meio a um matagal.
Os assassinos deflagraram mais de 30 tiros, mas só acertaram os quatro presos, em meio a outros quase 40 que se encontravam nas outras celas.
A quadrilha é acusada de assaltos a banco, agências dos correios e lojas da Cesta do Povo, um programa assistencial do governo do estado.

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