Rio, 21 (AE) - A polícia tem cinco suspeitos da morte dos sindicalistas Edma Rodrigues Valadão, de 45 anos, e Marcos Otávio Valadão, de 44, executados na manhã de ontem (20), na zona norte do Rio. "O governador não quer colocar nada para debaixo do tapete; temos cinco suspeitos e é só o que posso dizer", afirmou o governador Anthony Garotinho (PDT).
Edma, que presidia o Sindicato dos Enfermeiros do Rio, e o marido, presidente regional da Associação Brasileira de Enfermagem (Aben), denunciavam irregularidades na administração dos conselhos Federal de Enfermagen (Cofen) e regionais (Corens). "O assassinato é uma tentativa de desestruturar a categoria, mas a morte deles não vai nos fazer parar", afirmou a presidente nacional da Aben, Eucléa Gomes Vale.
Uma carta aberta, assinada por entidades sindicais, foi distribuída no velório e no enterro do casal. "O Cofen aparece em documento da Secretaria de Segurança Pública na lista de mortes envolvendo a área da saúde, que investigava o assassinato do conselheiro Guaraci Novaes", dizia o texto. Novaes foi executado em agosto de 1997, uma semana depois de denunciar irregularidades do Cofen na gestão do então presidente Gilberto Linhares Teixeira e três dias antes de depor no Tribunal de Justiça, em processo em que era acusado de desviar verbas do Sistema Único de Saúde.
"Repudio qualquer tentativa de ligar o Cofen a esses crimes", afirmou o primeiro secretário do conselho, Nelson Parreiras. "Isso é politicagem barata e repulsiva de um grupo que quer aparecer na mídia".Segundo Parreiras, uma auditoria feita pela empresa Infoplan aprovou as contas do Cofen de 1997 e o Tribunal de Contas da União já teria arquivado algumas das denúncias.
O ex-presidente do Cofen Gilberto Linhares Teixeira atribui a morte dos sindicalistas à violência no Rio de Janeiro. Informado de que o governador Anthony Garotinho havia declarado que o assassinato do casal foi encomendado, Teixeira respondeu ironicamente. "Que o ilustríssimo governador prove o que diz; só lamento que ele em tão pouco tempo - sem fazer levantamento adequado - tenha julgado o caso". O enfermeiro diz estar afastado há três anos do movimento sindical. Apesar de morar em Aracaju (SE), ele foi eleito para o Coren-RJ, mas a posse de sua chapa está suspensa até que uma ação, que questiona o processo eleitoral, seja julgada.
Enterro - Cerca de 500 pessoas acompanharam o enterro de Edma e Valadão. Emocionados, amigos, parentes e colegas de trabalho carregavam faixas pedindo justiça. Uma comissão vai tentar se reunir amanhã (22) com o ministro da Justiça, José Carlos Dias para pedir a apuração do caso e garantias de vida a sindicalistas que estão recebendo ameaças de morte.

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