Polícia suspende despejo de sem-terra no Pará
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quinta-feira, 27 de maio de 1999
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 28 (AE) - A polícia do Pará suspendeu, no final da tarde de hoje, a operação militar para retirar 600 sem-terra que há 11 dias ocupam a fazenda Taba, na ilha de Mosqueiro. Os trabalhadores obtiveram do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), mais três dias para permanecer no local. Enquanto isso o Incra vai encontrar outra fazenda para instalar os trabalhadores. A operação havia começado pela manhã.
O secretário de Defesa Social, Paulo Sette Câmara, aceitou a proposta feita pelo arcebispo de Belém, Dom Vicente Zico, de suspender o despejo enquanto Incra, Movimento do Trabalhadores Rurais Sem-Terra e o governo do Estado negociavam. "A polícia recebeu ordens para abandonar o local", anunciou Câmara aos integrantes da Comissão de Mediação dos Conflitos Agrários.
O procurador do Incra Paulo Carneiro, que substituía hoje o superintendente Darwin Boerner, considerou sensata a decisão de adiar o despejo com uso de força policial. Ele temia violência."Vamos encontrar uma solução rápida para essa questão", disse.
Quando um batalhão de 130 homens da Polícia Militar chegou à estrada que dá acesso à fazenda os invasores utilizaram crianças como escudos humanos. A estratégia deu certo e os policiais recuaram, enquanto negociadores tentavam evitar um desfecho violento.
"Era a única maneira que tínhamos de evitar um novo massacre como o de Eldorado dos Carajás", justificou o coordenador do MST no Pará, Raimundo Nonato Coelho de Souza. "Chega de tanta violência e omissão do governo", afirmou ele. O MST pediu ao governo tranporte, cestas básicas e lonas para os sem-terra.


