Polícia suspeita que ladrões de cargas estejam se infiltrando em acampamentos do MST em PE
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terça-feira, 09 de fevereiro de 1999
Por Edson Luiz 
Brasília, 09 (AE) - A polícia pernambucana acredita que integrantes de quadrilhas especializadas em roubos de cargas e ônibus que atuam na BR-428, que liga Petrolina a Recife, possam estar se infiltrando nos principais acampamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Nordeste, localizados no sul do Estado. As suspeitas surgiram depois que a Polícia Militar apreendeu diversos objetos roubados, no fim de semana, próximo a um acampamento e prendeu uma pessoa suspeita de integrar um dos diversos bandos que agem nas estradas do sul de Pernambuco. O coordenador do MST na região, Jaime Amorim, não descarta a possibilidade de infiltração e se ofereceu para ajudar a polícia. "Se há suspeitas da existência de ladrões nos acampamentos, que nos indiquem que nós expulsaremos", diz Amorim.
O roubo de cargas, carros e ônibus se acentou no sertão após a ofensiva policial contra os plantadores de maconha, uma das maiores atividades econômicas da região. A Polícia Federal prevê que, a cada investida feita contra o narcotráfico, os prejuízos cheguem a mais de R$ 10 milhões. A alternativa encontrada pelos traficantes são os assaltos em rodovias. No último fim de semana, pelo menos três ônibus foram assaltados na PE-39, conhecida como rodovia da Reforma Agrária, já que está próxima dos assentamentos do MST. "Roubaram até mesmo três motos e um carro do movimento", afirma Amorim.
Segundo o MST, o controle na entrada dos acampamentos é rígido, mas não é possível garantir que não haja infiltrações de pessoas alheias ao movimento. "Muitas vezes um assentado leva um parente que não conhecemos", exemplifica o coordenador do MST no Nordeste. "Nas nossas áreas é proibido plantar, traficar e fumar maconha, e não podemos roubar", acrescenta. Amorim confirma que vários dos objetos roubados estavam bem próximos ao acampamento Safra, na estrada da Reforma Agrária. Suspeitas - As primeiras suspeitas de infiltração de marginais nos acampamentos do MST surgiram no ano passado. A PM de Santa Maria da Boa Vista chegou a investigar algumas denúncias, mas não concluiu o levantamento. O caso voltou à tona no domingo, depois do assalto aos ônibus. Durante as investigações, a PM encontrou televisores, ventiladores, máquinas registradoras, sacolas com roupas e armas próximos a um dos acampamentos. Segundo um sargento da Companhia Independente da PM de Santa Maria da Boa Vista, ninguém chegou a ser preso na ocasião, mas, no dia seguinte, uma pessoa foi detida sob suspeita de integrar uma das quadrilhas de ladrões. "Vamos abrir os acampamentos para que a polícia investigue", garante Amorim, afirmando que é de interesse do MST que o caso se esclareça.
"Nós também corremos riscos", observa o líder do movimento. Segundo ele, além da ação policial para erradicação dos plantios de maconha, que fez crescer os assaltos nas rodovias, o desemprego na região está bastante acentuado. Amorim diz que os dados mostrados recentemente pelo governo revelam que, nos últimos quatro anos, pelo menos 20 mil trabalhadores dos plantíos de uva e manga foram demitidos.
Os acampamentos do MST na região onde está o "polígono da maconha" são os mais importantes e ágeis do Nordeste. Durante o período de seca, os sem-terra foram responsáveis por pelo menos 80% dos saques ocorridos na região.


