A polícia do Rio está investigando o assassinato da embaixatriz Bianca Innocenti, de 75 anos, que desapareceu em 21 de fevereiro, em Teresópolis, na Região Serrana. Na sexta-feira, um exame de arcada dentária confirmou que um crânio encontrado por investigadores é mesmo de Bianca. O crânio estava perto de um casarão que ela alugava em Teresópolis.
Bianca era viúva do embaixador Frank Mendonça Moscoso, com o qual teve um filho, o tradutor Mário Fondelli. Para a polícia, Fondelli, único herdeiro do casal, é o principal suspeito do crime.
Antes de ser assassinada, a embaixatriz teria sido espancada, esquartejada e teve o corpo queimado. O exame da arcada dentária revela que ela levou uma pancada tão forte no rosto que fraturou o malar esquerdo.
Desde o final de 1996, a embaixatriz havia deixado o Rio para passar uma temporada no bairro do Ingá, em Teresópolis. Ela ficou o verão em Teresópolis com dois amigos italianos, que voltaram para a Europa em 20 de fevereiro, na véspera de sua morte. Na casa, então, só ficou a empregada Roseni Freire Correia, de 22 anos, que servia à embaixatriz desde 1990.
No dia 21, após caminhar pelo bairro do Alto, onde encontrou amigos, a embaixatriz desapareceu. A empregada contou na delegacia de Teresópolis que retornou dia 22, para a casa da embaixatriz na Rua Tonelero, em Copacabana, zona sul do Rio. Para lá, segundo ela, Fondelli seguiu no Fiat Prêmio da mãe, com todos os pertences que a embaixatriz levara para Teresópolis. A empregada contou que Fondelli retirou tudo do cofre.
Fondelli será chamado a prestar depoimento e poderá ser indiciado por homicídio ainda esta semana. Ele disse considerar ‘‘normal a suspeita’’, mas garante ser inocente e acredita ‘‘que a mãe possa ter sido vítima de assaltantes’’. A embaixatriz deixou dois apartamentos - um no Rio, outro em Florença - duas contas bancárias no Brasil e outra na Itália, linha telefônica, obras de arte, jóias e um carro. Fondelli argumenta que tinha procurações da mãe registradas no 10º Ofício de Notas, em Copacabana, para movimentar o patrimônio como bem entendesse.
A empregada na polícia contou uma história diferente. Disse que Fondelli e a mãe não se davam muito bem e já brigaram por causa de dinheiro. O crânio da embaixatriz, parcialmente queimado, foi farejado por um cachorro em 5 de março a cem metros da casa alugada por ela. No terreno, foram encontrados pequenos fragmentos de osso, um dente de ouro, um pedaço de cachecol preto e retalho de um pano estampado. Quando desapareceu, a embaixatriz estava com o cachecol, a blusa estampada.

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