Rio, 10 (AE) - O auxiliar de enfermagem Edson Izidoro Guimarães, de 42 anos, pode ter começado a matar pacientes do Hospital Municipal Salgado Filho, no Rio, há seis anos, segundo a delegada de Homicídios Marta Cavalliere. A suspeita da polícia está baseada no depoimento prestado hoje pela dona de casa Lígia Góes Ferreira, de 54 anos.
Lígia acusou Guimarães e outro funcionário do hospital, do qual não lembrou o nome, pela morte do marido, o aposentado Carlos Alberto da Silva Ferreira, em 1993. "Guimarães ligou para minha casa avisando sobre a morte de meu marido e tratou do enterro", afirmou a dona de casa.
A dona de casa reconheceu o auxiliar de enfermagem por reportagens na televisão. Segundo Lígia, o marido foi internado no dia 19 de março de 1993 no Hospital Salgado Filho - um sábado - após sentir fortes dores no peito na residência do casal, em Inhaúma, na zona norte do Rio. Os médicos diagnosticaram uma angina e informaram que Ferreira deveria ficar internado por dois dias. Quando deixava o hospital, contou, um funcionário - que não seria Guimarães - a procurou e afirmou que seu marido tomaria uma injeção e ficaria bom. Na manhã de domingo, Ligia recebeu um telefonema avisando que Ferreira havia morrido e ela deveria ir ao hospital para providenciar o enterro.
Lígia recordou que, ao chegar ao Salgado Filho, Guimarães já estava à sua espera. "Ele se colocou à disposição para cuidar de tudo, lembrou a dona de casa, acrescentando que tentou obter informações no hospital sobre as circunstâncias da morte do marido, mas não conseguiu esclarecimentos.
Suspeita - "Não me conformo com a morte dele, tenho certeza de que foi a injeção que o matou." Guimarães aplicava injeções de cloreto de potássio ou desligava aparelhos para matar os pacientes.
No atestado de óbito de Ferreira consta que o aposentado morreu por parada cardiorrespiratória e enfarte agudo do miocárdio. "Como pode ele ter morrido de enfarte se os médicos haviam atestado apenas angina?", questiona a dona de casa.
A delegada Marta Cavalliere disse que as circustâncias da morte de Ferreira serão investigadas. "Ele pode ser uma das vítimas de Guimarães ou podemos até estar diante de novos envolvidos na série de mortes do Salgado Filho", disse a delegada, referindo-se ao suposto envolvimento de outros funcionários do hospital nas mortes de pacientes. Ela acrescentou que poderá pedir a exumação de Ferreira para esclarecer a morte.
As Funerárias Novo Mundo e Novo Rio - acusadas por Guimarães de terem pago comissões pelas mortes - negaram o crime. Manoel de Souza Oliveira, dono da Novo Mundo, disse que não tem convênio com hospitais e não faz transações com pessoas estranhas. Já o gerente da Funerária Novo Rio, Paulo Henrique, afirmou que não conhece Guimarães e mantém apenas convênio com alguns hospitais, mas não com o Salgado Filho. Os diretores das duas funerárias pretendem processar o auxiliar de enfermagem.

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