Polícia suspeita de crime político na morte de agricultor
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terça-feira, 09 de março de 1999
Por Wilson Tosta e Rodrigo Mattos 
Rio, 10 (AE) - A Polícia Civil investiga possíveis ligações políticas do assassinato do agricultor Koji Nijuguchi, de 55 anos, morto em Cachoeiras de Macacu (região serrana do Rio) na noite de ontem (09), véspera do ato pelo afastamento do prefeito Cezar de Almeida (PDT) realizado hoje. O carro da vítima, um Gol
é idêntico ao do presidente da Câmara Municipal, Dario Bousquet Filho (PFL). Os policiais suspeitam que era ele o alvo dos assassinos, que teriam atirado em Nijuguchi por engano. O crime foi perto da sede do Legislativo, o que reforçou a suspeita. A prefeitura deve sete meses de salário aos servidores.
Três homens que estavam numa Brasília branca estão sendo procurados como autores do homicídio. De dentro do carro, eles fizeram vários disparos em direção ao agricultor, que levou um tiro na cabeça. Policiais que jantavam em um restaurante próximo ouviram os estampidos e correram para o local, tendo chegado a ver o veículo com os assassinos saindo em alta velocidade. Nijuguchi morreu no Hospital Celso Martins. A Brasília foi achada hoje no bairro Valério. O homicídio aumentou o clima de tensão na cidade, que tem cerca de 50 mil habitantes e vive basicamente da agricultura.
Ato - Cerca de mil pessoas participaram do ato "Acorda, Cachoeiras", pedindo o afastamento do prefeito e uma intervenção no município. O comércio fechou, e uma passeata percorreu o centro. Os manifestantes -entre eles comerciantes que reclamam de queda nas vendas- encerraram o protesto em frente à prefeitura. Eles acusaram o prefeito de inchar o serviço público e de inviabilizar o funcionamento do Hospital Municipal. Dos 13 vereadores, 10 participaram do ato. "Até os vereadores, que em geral são muito dóceis, estão rebelados", disse o deputado Chico Alencar (PT), que participou da manifestação.
O prefeito disse desconhecer possíveis vinculações entre o crime e o ambiente de tensão política na cidade. "Só depois que for apurado vai ser possível saber a motivação", declarou. Ele afirmou que recebeu a prefeitura, em 1997, com "cinco salários e meio" atrasados -uma dívida vencida de R$ 9 milhões. O município tem receita mensal de cerca de R$ 1 milhão. Mais de 80% do dinheiro vão para o pagamento de funcionários.


