Polícia russa detém mais de 11.000 na busca pelos terroristas
Moscou, 17 (AE-AP) - A polícia russa intensificou hoje (17) uma operação de segurança na qual 11.000 pessoas já foram detidas, entre elas 30 suspeitos de envolvimento numa onda de atentados explosivos atribuida a militantes islâmicos.
Ao mesmo tempo, cidadãos comuns estão formando patrulhas de ruas e informando à polícia sobre pessoas e atividades suspeitas.
Chechenos e outros da região caucasiana dizem que estão sendo injustamente escolhidos para interrogatórios, descriminados, e mesmo despejados.
"Todo dia somos levados para delegacias de polícia, alguns dias, vários vezes - mesmo aqueles que estão oficialmente registrados (como vivendo em Moscou)", disse Mekhman Guseinov, um azeri que vende jaquetas de couro e sapatos num mercado aberto no centro de Moscou.
"Metade das pessoas já mandou sua família de volta para casa. Eles estão preocupados que talvez (os russos) vão se levantar contra alguns grupos étnicos".
O governo do presidente Boris Yeltsin tem sofrido uma pressão cada vez maior para apresentar resultados em sua investigação sobre as explosões que destruíram quatro prédios residenciais nas últimas duas semanas, matando cerca de 300 pessoas.
Autoridades têm acusado chechenos e outros militantes islâmicos que estão combatendo forças russas na região sulista de Daguestão pelos ataques terroristas.
Depois de divulgar esparsas detenções e prisões nos últimos dias, o ministro do Interior, Vladimir Rushailo, anunciou hoje que mais de 11.000 foram detidas.
Do total, 2.200 pessoas eram procuradas pela polícia, e 9.000 eram suspeitas de envolvimento em vários crimes, disse Rushailo. A polícia apreendeu 74 bombas apenas nos últimos dois dias, acrescentou.
"Vamos restaurar estrita ordem nas ruas", afirmou o ministro.
Ainda assim, a grande maioria dos detidos foi pega por razões completamentes desvinculadas da campanha terrorista depois que a polícia começou a parar a esmo pessoas nos metrôs, em mercados e edifícios para checar documentos e procurar pistas sobre as explosões.
A polícia "está aqui o tempo todo. Eles vasculham tudo. Outro dia eles vasculharam minhas sacolas, procurando bombas", disse Ira Muradian, uma georgiana que vende lingerie no mercado central de Moscou.
Um checheno chamado Mukhadin disse ao The Moscou Times que foi despejado do dormitório onde vivia por causa de sua etnia, e se refugiou com parentes. "Eu dificilmente deixo meu apartamento", revelou.
O líder da comunidade chechena Zhabrail Gakayev afirmou ao jornal que 520 chechenos foram detidos apenas em Moscou nos últimos três dias, mas "99% dessas pessoas são completamente inocentes".
Mais dois suspeitos de envolvimento em dois atentados contra prédios residenciais em Moscou foram detidos, anunciaram hoje autoridades. Eles foram identificados como sendo Timur Dakhkilgov, 32 anos, e Bekmars Sautiyev, 40 anos, dois parentes originários da Chechênia, reportou a agência de notícias Interfax.
A televisão NTV divulgou que traços de hexogeno, um pó explosivo usado nos atentados, foram encontrados no apartamento de Sautiyev e nas mãos de Dakhkilgov. Sautiyev disse que tudo foi armação da polícia.
"É incompreensível o que eles (a polícia) estão fazendo, plantando armas numa pessoa, drogas em outras. Mas as casas vão continuar explodindo", afirmou ele à NTV.
Em Washington, o presidente Bill Clinton prometeu que os Estados Unidos irão ajudar a Rússia a combater o terrorismo.
"A América está pronta para trabalhar com a Rússia a fim de proteger nossos cidadãos desta ameaça comum", disse Clinton.
Na sexta explosão fatal na Rússia em menos de três semanas, uma bomba de baixa potência explodiu num apartamento de São Petersburgo na noite de quinta-feira, matando duas pessoas e ferindo três.
A explosão não foi da mesma intensidade das outras que devastaram prédios inteiros, e autoridades não acreditam que ela esteja relacionada com os ataques terroristas. Tratou-se provavelmente de um acidente, e o incêndio que provocou foi agravado por uma lata de gasolina, disse Rushailo.





