Brasília - A Polícia Rodoviária Federal (PRF) deu início nesta sexta-feira (16) à Operação Integrada Rodovida. A ação contará com a presença de 10 mil policiais rodoviários ao longo das estradas federais, que terão o apoio de pelo menos 40 mil agentes de trânsito de órgãos municipais, estaduais, além de policiais militares e profissionais de saúde.

"O diferencial da operação este ano vai ser realmente o trabalho mais integrado entre os ministérios (Saúde, Transportes, Justiça e Cidades) e os Estados com os diversos órgãos de fiscalização responsáveis pela questão da segurança no trânsito. Não só de fiscalização, como também de outros órgãos envolvidos, como os hospitais e Samus", explicou Stênio Pires, superintendente da PRF no Ceará e coordenador nacional da Operação Rodovida.

A operação ficará ativa até o período do carnaval e será mais intensa nos trechos considerados críticos pela PRF. Um levantamento do órgão mapeou 100 trechos críticos em rodovias federais de 17 Estados. O pior trecho está entre os KMs 260 e 270 da BR-101, no Espírito Santo. O segundo e o terceiro piores trechos fazem parte da mesma rodovia, em Santa Catarina.

"Nesses locais, estamos com uma atenção especial na fiscalização, um trabalho conjunto com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ou a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), dependendo do tipo da via, se ela é concedida ou não, para reforçar a sinalização ao longo desses trechos críticos de acidentes. Há também um trabalho do Samu, que está realocando viaturas nesses locais para, caso a gente não consiga evitar os acidentes, pelo menos socorrer com mais destreza, com mais rapidez e trazer uma chance a mais de vida aos cidadãos." afirmou o inspetor.

Desde 2011, quando a primeira operação integrada foi realizada, a PRF registrou a interrupção do crescimento do número de acidentes fatais. Mas, ainda não houve redução significativa. A falha humana continua sendo a principal causa dos acidentes, aliada à condição precária das rodovias. "O que pesa mais é o comportamento do cidadão. A gente tem que observar que o trânsito é algo muito complexo. Então, a falha humana tem sido a principal causa de acidentes, mas, ao mesmo tempo, a rodovia tem que estar preparada para quando ocorrer a falha humana poder absorver ou minimizar a consequência dela", acrescentou o inspetor.

A PRF chama a atenção para algumas medidas importantes que o Dnit e a ANTT devem adotar para melhorar a infraestrutura das rodovias. "São vários aspectos, a questão de defesa em locais de abismo, questão de sinalização para o cidadão ter uma ideia melhor da possibilidade de ultrapassagem, muros de concreto de vias de mão dupla para evitar que o veículo pegue outro no sentido contrário. Então, são várias medidas que estão sendo adotadas para que realmente o número de acidentes caia ou, quando ocorra, as consequências sejam menores", lembrou Stênio.

Com relação aos motoristas, o foco da operação será o alerta para a utilização do cinto de segurança e o combate ao excesso de velocidade, à alcoolemia e drogadição, por meio do uso dos equipamentos bafômetro e drogômetro.

A condução responsável de motocicletas também está entre as metas da ação. "Um dos principais fatores desse número de mortes não ter caído é o alto número de acidentes com motocicletas, a exemplo do Nordeste, que hoje concentra 25% dos acidentes com motos, mas responde por quase metade das mortes. Então, vai ser uma fiscalização mais intensa em relação às motocicletas e também à utilização do cinto de segurança. É muito comum nesse período as famílias viajarem com seus filhos, crianças de colo, bebês. Então, vamos intensificar a fiscalização para evitar que acidentes ocorram e tenhamos mortes."

A expectativa é de que neste ano, a nova Lei do Farol também possa contribuir para a mudança de comportamento dos motoristas e pedestres, principalmente em áreas que registram altos índices de atropelamento e colisão frontal, como o Distrito Federal e o entorno de Brasília. Estimativas da Polícia Rodoviária Federal mostram um impacto positivo da lei sobre a redução de ocorrências no trânsito.

"A Lei do Farol é importantíssima, ela traz uma facilidade em dois aspectos: o atropelamento e a colisão frontal, porque facilita a visualização do veículo por parte dos demais usuários. A gente tem percebido uma redução em nível nacional; o número de atropelamentos e de colisão frontal tem caído significativamente - a redução está em torno de 20% a 25%", destacou.

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