Polícia relaciona tráfico e roubo de cargas
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domingo, 26 de setembro de 1999
por Renato Lombardi 
São Paulo, 27 (AE) - A prisão do ex-guarda civil metropolitano Marcelo Leal da Silva, de 25 anos, na zona norte da capital, possibilitou à Polícia Civil a descoberta de uma ligação entre ladrões de cargas e traficantes de drogas. A polícia suspeita que muitas quadrilhas estão aplicando na compra de cocaína e crack o dinheiro ganho com a venda das cargas.
Na sexta-feira, os investigadores e delegados da Delegacia de Furtos, Roubos e Desvio de Cargas, do Departamento de Investigações Sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), prenderam dois ladrões e apreenderam num galpão em Itapevi, na Grande São Paulo, 2,5 mil pares de tênis da marca Reebok e medicamentos avaliados em R$ 600 mil. As cargas tinham sido roubadas na quarta-feira.
Os dois ladrões presos no galpão informaram aos policiais que a quadrilha estava comprando e vendendo drogas. Disseram que o encarregado de comprar era o ex-guarda civil metropolitano. Os investigadores saíram de Itapevi e foram para o bairro da Casa Verde, na zona norte da capital. Uma casa da Rua Sebastião de Lima foi cercada e Silva preso. Num dos quartos da residência
foram encontrados um quilo de cocaína, um quilo de crack, uma carabina calibre 12, uma submetralhadora Intratec, três revólveres de calibre 38, muita munição e uma balança que Silva utilizava para pesar a droga.
O delegado Frederico Vesentini, do Depatri, vem investigando há algum tempo o envolvimento dos ladrões e receptadores de cargas com o tráfico de drogas.
Os policiais sabem que muitos assaltantes contratados para atacar os motoristas na chegada à capital ou nos bairros de Vila Maria e Pari são viciados em cocaína e, principalmente, crack. No crime organizado da carga, o ladrão contratado para sequestrar o motorista e levar a mercadoria recebe uma pequena quantia em dinheiro e a maior parte tem sido paga em cocaína e crack. Alimentos - As cargas mais visadas pelas quadrilhas são as de alimentos, eletrodomésticos, eletrônicos, cigarros, medicamentos
confecções, autopeças, produtos agrícolas, calçados e pneus. De janeiro a junho deste ano, foram praticados no Estado 938 assaltos a caminhões de carga e roubados R$ 58,8 milhões.


