São Paulo, 10 (AE) - A polícia já foi informada de nove sequestros, neste ano, no Estado de São Paulo. De acordo com a Delegacia Anti-Sequestro (Deas), os autores de oito desses crimes estão identificados. "Em seis casos, detivemos os sequestradores em flagrante", disse o delegado Marcos Carneiro Lima, da Deas.
No ano passado, foram 22 casos. Desses, 18 terminaram na prisão de algum dos sequestradores. "Estamos investigando os outros quatro casos", afirmou Lima. Entre os crimes de 1999, quatro são atribuídos à mesma quadrilha, que é suspeita de mais três casos neste ano. O bando atua principalmente na região de Campinas (SP).
Segundo a polícia, o perfil do crime, de suas vítimas e dos sequestradores mudou nesta década. Antes, os bandidos escolhiam apenas grandes empresários, libertados após pagamentos de resgates milionários, como nos casos da família do banqueiro Antônio Beltran Martinez, então vice-presidente do Bradesco, e do empresário Saul Brandalise Junior, para libertar seus filhos Jean-Paul, de 8 anos, e Saul Neto, de 14.
"Pouco antes do Plano Cruzado, ladrões de banco passaram a migrar para o sequestro por causa do pouco rendimento que obtinham com os assaltos", disse o delegado Maurício Guimarães Soares, titular da Deas. Depois do plano, com a estabilização da moeda, a mudança do perfil acentuou-se. "Bandidos cada vez menos estruturados decidem aventurar-se num sequestro e acabam escolhendo como vítima qualquer pessoa que aparente ter dinheiro", disse o delegado. "Mas, às vezes, quem vê somente o carro importado não sabe que a vítima comprou o veículo em prestações", afirmou.

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