Polícia registra conflito com sem-terra
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) divulgou nota, ontem, denunciando ação de uma milícia armada contra um acampamento de sem-terra em General Carneiro (36 quilômetros a sudoeste de União da Vitória). Cerca de 25 ''pistoleiros'' teriam atirado sobre os barracos, na noite da última quarta-feira. Eles seriam funcionários de uma fazenda de propriedade do ex-deputado federal, Luciano Pizzato. O acampamento Primeiro de Maio, onde vivem cerca de 200 famílias, fica a cerca de 100 metros da propriedade. Não houve registro de pessoas feridas.
Segundo a nota do MST, seriam frequentes as ameaças e agressões verbais dos funcionários da fazenda contra os sem-terra. As lideranças do acampamento relataram, ainda, à coordenação estadual do MST que, na última quinta-feira, ''os jagunços de Luciano Pizzato'' teriam apontado armas para o ônibus escolar que transportava as crianças do acampamento até a escola de General Carneiro.
''Os pistoleiros encontram-se fortemente armados, com espingardas de grosso calibre, vários revólveres e escopetas, permanecendo no local há mais de 60 dias'', diz a nota.
A versão dos funcionários da fazenda, segundo informações da Polícia Militar (PM) de General Carneiro, foi de que dois carros teriam se aproximado da entrada da propriedade e atirado contra eles. A Polícia Civil também recebeu a mesma queixa do pessoal da fazenda. Os veículos, segundo relataram à polícia, teriam sido vistos, por várias vezes, entrando e saindo do acampamento.
A Folha tentou contato com Pizzato pelo celular, mas até o fechamento desta edição, ele não retornou o recado.


