Arquivo FolhaPressãoFazenda Doralúcia foi reocupada pelos sem-terra há 10 dias: MST quer inquérito para apurar ameaça de violênciaA polícia de Cruzeiro do Sul (48 quilômetros de Paranavaí) reforçou o policiamento da fazenda Doralúcia, que foi reocupada pelos sem-terra no último dia 20 de novembro. A polícia teme uma ação dos proprietários da área, que ameaçaram retomar a fazenda com o uso da força. O promotor de Paranacity, José Pereira Pio de Abreu Neto, confirmou ontem que um dos donos da fazenda, João de Oliveira Franco, ameaçou levar o dobro de jagunços usados na desocupação anterior para retomar a área.
Em abril passado ele conseguiu retirar cerca de 200 famílias da fazenda depois de levar 120 jagunços para a cidade e cercar a sede da propriedade. ‘‘Ele disse que vai retomar a fazenda com o uso da força, mas não temos informações de quando isso pode ocorrer’’, disse Pio. Os advogados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) na região entraram com uma representação contra Franco, e querem a abertura de inquérito para apurar a ameaça de uso de uma milícia própria para desocupar a área.
O MST quer também que a Justiça tome providências contra os responsáveis pelo armamento encontrado na fazenda na semana passada, quando os sem-terra retomaram a propriedade. Os empregados estavam com uma metralhadora e um fuzil, que foram tomados pelos sem-terra. Diante da ameaça de retomada da área, existe o receio de um confronto entre os sem-terra e os jagunços. ‘‘Mas nós não temos o que fazer a não ser negociar com as partes’’, alega o promotor.
Ele explica que a propriedade foi vistoriada pelo Incra e classificada de latifúndio improdutivo, passível de desapropriação para fins de reforma agrária. No entanto o processo de desapropriação ainda está em andamento, o que cabe recurso ao proprietário. ‘‘Os dois lados têm argumentos para lutar pela área’’ afirma o promotor. ‘‘Por isso vamos tentar negociar entre as partes para evitar o confronto’’.
A fazenda Doralúcia tem 360 alqueires e foi ocupada pela primeira vez em dezembro do ano passado. Em fevereiro o MST negociou a retirada das cerca de 200 famílias para a vistoria do Incra. Os sem-terra acharam que o laudo estava demorando e voltaram para a área em abril passado. No mesmo mês, João Franco levou cerca de 120 jagunços para a cidade e cercou a sede da fazenda, onde estava o acampamento dos sem-terra. A polícia e a Justiça conseguiram negociar com os líderes do MST na região e no dia seguinte retirar as famílias, que ficaram acampados até a semana passada na estrada de acesso à área.

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