Polícia recupera fitas da última viagem de Amyr Klink; três foram presos
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domingo, 28 de março de 1999
Por Murilo Fiuza de melo 
Rio, 29 (AE) - Policiais da 167ª Delegacia Policial, em Parati, sul fluminense, conseguiram recuperar hoje de manhã parte do equipamento náutico e as fitas da última viagem realizada pelo velejador Amyr Klink. O material, avaliado em R$ 10 mil, havia sido roubado na madrugada do dia 24 e foi encontrado na casa de João Francisco de Carvalho Filho, de 36 anos, conheciso como Índio, que foi preso, junto com Gilson Lopes da Silva, 20 anos, o Neneco, e o menor P.C.O, 15 anos - também acusados de terem participado do assalto.
Segundo o detetive Jorge Luiz Silva, chefe do Setor de Investigações da delegacia, foram encontrados na casa de Índio uma estação de rádio amador, máquina fotográfica, rádio VHS, aparelho de som digital e as seis fitas digitais com gravações do diário de bordo da última viagem de Klink - ao redor da Antártica -, além de imagens da viagem, produzidas por uma equipe da produtora Conspiração Filmes, para um documentário sobre a vida do navegador. As imagens foram feitas durante a primeira quinzena de março.
Continuam desaparecidos um botijão de gás e um aparelho localizador por satélite (GPS), onde estão gravados todos os pontos de navegação da viagem. Em São Paulo, Klink agradeceu a polícia, que trabalhou em conjunto com a prefeitura de Parati, mas lamentou a ausência do GPS entre os equipamentos recuperados. "Ele é uma espécie de memória eletrônica da viagem", explicou. Segundo ele, o aparelho não custa mais de US$ 500. Klink deve ir a Parati na próxima sexta-feira, para fazer o reconhecimento do material. "Tenho que ver se, de fato, as fitas digitais estão em perfeito estado", afirmou.
O chefe do Setor de Investigações da 167º DP contou que os ladrões estavam tentando vender os equipamentos, quando foram presos. Índio, acusado de ser o chefe da quadrilha, já foi condenado por roubo à residência. O material de Klink foi retirado de dentro do veleiro Paratii, de sua propriedade, que estava atracado na marina da praia de Jurumirim. Na hora do assalto, o velejador dormia no barco com a mulher, Marina, e as duas filhas. O furto ocorreu três dias após Klink ter regressado ao Brasil, depois de uma inédita viagem de 88 dias em torno da terra na menor e mais perigosa rota marítima do planeta - ao redor da Antártica, na altura da latitude 60º.


