Polícia reconstitui morte de Zuba
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sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Diogo Cavazotti<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Durante toda a manhã de ontem, 23 policiais e oito peritos do Instituto de Criminalística do Paraná realizaram a reconstituição do assassinato do delegado José Antônio Zuba e do funcionário público Adilson da Silva, mortos em uma abordagem policial no camping Olho D'Água, em Pontal do Paraná, litoral paranaense, dia 24 de agosto.
Os dois suspeitos presos, Paulo Roberto Pereira Quintal e Francisco Diego Vidal Coutinho, não quiseram participar da reconstituição pois, segundo lei constitucional, não são obrigados a produzir provas contra eles próprios. Os outros dois envolvidos, Felipe ''Tex'' e Paulo Aparecido Alves de Abreu ''Gauchinho'', foram mortos em um tiroteio com a polícia.
As duas investigadoras que estavam no momento do crime participaram da reconstituição de ontem. Noely de Fátima Ávila e Luiza Helena dos Santos Pinto já haviam prestado depoimento, mas algumas informações ainda não estavam claras. Elas realizaram a reconstituição separadas.
A perita criminal do Instituto de Criminalística, Jussara Joeckel, disse que existem muitas evidências do crime no local e agora as duas reconstituições das investigadoras serão confrontadas para esclarecer o caso. ''Existem algumas contradições entre o depoimento das duas. A reconstituição do local de onde as pessoas estavam (na hora da troca de tiros) não bate''. A perita afirma haver farto material para que se possa tentar estabelecer um nexo causal no crime.
Segundo o delegado da polícia militar Hamilton Paz, o objetivo da reconstituição foi manifestar a visão das duas investigadoras que presenciaram o crime. ''Os presos tentam minimizar a ação deles. Agora pudemos definir a participação de cada um''.
Em depoimento dos presos colhido pela polícia, Gauchinho pegou os outros envolvidos no crime no morro da Rocinha, no Rio de Janeiro. Eles vieram ao Paraná para realizarem assaltos em residências de Curitiba. Por mais que estivessem fortemente armados, não possuíam grande quantidade de dinheiro. Primeiro ficaram dois dias em Matinhos, em uma casa alugada. Quando o dinheiro acabou, o grupo foi para Curitiba e vendeu um chaveiro de ouro. Os integrantes voltaram para a praia com o intuito de realizar assaltos na região. Foi quando foram surpreendidos pelos policias no camping.
''Chegou a informação na delegacia de que quatro pessoas suspeitas estavam no camping com dois carros do Rio de Janeiro. Quando o delegado e as investigadoras chegaram, já foram recebidos com balas'', disse Paz.
A esposa do funcionário público Adilson da Silva, Geane (ela não quis dar o sobrenome) foi convidada para participar da reconstituição, pois esteve no local minutos após o marido ser baleado. Ela chegou a conversar com a vítima antes dele ser encaminhado ao hospital. ''É doloroso vir aqui novamente e rever como a cena ocorreu'', lamentou.
O juiz da vara de Matinhos, Leonardo Stancioli, acompanhou as ações da polícia na manhã de ontem. ''Eu, como juiz, não participo das investigações. Mas é importante estar aqui (na reconstituição) para melhor entender a situação'', afirmou.


