Rio - O homem que aparece em imagens das câmeras de vigilância da universidade Estácio de Sá, no Rio Comprido, zona norte do Rio, não segurava um fuzil, mas uma vassoura. O faxineiro Jonson Vagner, de 25 anos, se reconheceu nas imagens registradas em 5 de maio, no momento em que a estudante Luciana Gonçalves de Novaes, de 19 anos, é atingida com um disparo no rosto e esclareceu a confusão. ''Eu me reconheci na imagem. Sou encarregado da limpeza e estou com a consciência tranquila.''
Nas primeiras análises das imagens gravadas no bloco F, que fica a poucos metros do Morro do Turano, e onde Luciana lanchava, a polícia chegou a acreditar que o homem que aparece no fundo do vídeo era um traficante armado. ''Eu estava saindo do almoxarifado com três vassouras amarradas, quando ouvi os tiros. Só pensei em me esconder. É desespero atrás de desespero.'' No dia 21 de abril, a sobrinha dele, de 11 anos, morreu com um tiro na cabeça, em casa, no morro dos Macacos, na zona norte.
Por uma hora e meia, a polícia fez ontem a reconstituição da cena em que Luciana é baleada. Peritos do Instituto Carlos Éboli (ICCE) e oito pessoas, entre funcionários e alunos, participaram da simulação, que começou 9h30. O resultado da perícia será confrontado com as imagens registradas pelas câmeras de vigilância da universidade e com radiografias do maxilar da estudante, atingido pelo tiro.
O delegado Luiz Alberto de Andrade, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes, que assumiu as investigações, disse que ainda não tem como saber se os tiros partiram do campus ou do Morro do Turano. ''Hoje (ontem), conseguimos saber a posição exata da estudante e das pessoas que estavam perto dela. Agora, de onde veio o tiro, a distância e o ângulo (do disparo), só vamos saber após o trabalho da perícia. Até o final da semana, devemos ter respostas.''
De acordo com o subchefe da Polícia Civil, José Renato Torres, um tiro de pistola (arma de onde saíram os tiros) pode alcançar até 500 metros, mas para ferir alguém da forma como atingiu Luciana, o atirador precisaria estar a cerca de 50 metros. Isso reforça a hipótese de que o tiro teria sido disparado de dentro da universidade, o que depende de confirmação da perícia. Alunos da Estácio de Sá confirmaram que colegas consomem drogas vendidas por traficantes do Morro do Turano.
A estudante de Enfermagem Luciana Gonçalves de Novaes continua internada no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hosital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na zona sul. Ontem, Luciana foi submetida a uma nova cirurgia para fixação e reconstrução da mandíbula com placa de titânio. A operação, realizada de manhã, durou duas horas e foi bem-sucedida.
Em seu quinto dia de pós-operatório de neurocirurgia, ela permanece sedada e respirando com o auxílio de aparelhos. Luciana foi atingida por um tiro de calibre ponto 40, em 5 de abril, e corre o risco de ficar tetraplégica.

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