São José dos Campos, SP, 08 (AE) - Até o final da tarde de hoje 134 fugitivos da Cadeia Pública do Putim, em São José dos Campos, haviam sido recapturados. Há ainda 209 fugitivos, pois dois foram mortos.
A fuga de 345 presos no início da noite de domingo espalhou o medo no município.Os moradores das redondezas passaram horas de terror, com invasão de residências, arrombamentos e roubos praticados pelos fugitivos. A polícia registrou ocorrências em todas regiões da cidade e nas margens das rodovias Carvalho Pinto e Dutra.
Os telefones do comando da Polícia Militar tocaram sem cessar durante toda a madrugada dos dois últimos dias. O pavor transformou qualquer barulho em motivo para pedir socorro. A dona de casa Maria de Fátima Ibba, moradora no bairro do Putim, lembra dos latidos do cachorro e dos passos apressados no quintal de sua casa. Por volta das 21 horas de domingo dois foragidos conseguiram entrar pelo telhado da residência e passaram a noite escondidos sobre a laje.O desespero tomou conta da família Ibba. Os cinco filhos passaram a chorar e Monique, de 13 anos, chegou a ter uma crise nervosa.
O vizinho, Antonio Rodolfo Guilherme, manteve suas quatro crianças dentro de seu quarto e rezava para o pesadelo acabar. Ele lembra que algumas horas antes viu uma multidão formada por homens correndo desnorteados pelo campo de futebol do bairro e imaginou tratar-se de mais uma fuga. Acionada pelo telefone, a PM revistou o local e acabou prendendo os marginais.
Nada, entretanto, se compara à situação vivida por Ana Cristina Gonçalves da Silva. Às 6h10 da manhã da segunda-feira, assim de seu marido saiu para trabalhar, quatro maltrapilhos arrombaram a porta da cozinha de sua casa, no interior da Granja Itambi. Eles pediram que ficasse calma e nada aconteceria. O filho Genivaldo, de 6 anos, correu para perto da mãe, muito assustado. " Eles me pediram café e roupas", relembra.
O grupo ficou até às 14 horas mantendo os dois como reféns. Neste tempo, tomaram banho, almoçaram, fumaram e assistiram à TV. Armados com facas, os criminosos da cadeia do Putim forçaram Ana Cristina a levá-los além da portaria da granja. E prometiam matar o menino caso algo saísse errado. Alguns minutos após deixarem o local e liberarem a mãe e a criança, um grupo de policiais foi alertado e acabou prendendo dois dos fugitivos. "
Nos bairros próximos à cadeia a rotina mudou. O comércio fecha bem mais cedo do que o habitual e ninguém permanece nas ruas depois do escurecer. A escola estadual Júlia Bernardes Rodrigues suspendeu suas aulas noturnas neste início de semana e todas portas e portões estão sendo trancados.
No ponto de ônibus, as pessoas só ficam mais relaxadas quando há um policial por perto. "Os moradores ficam apavorados e muito tensos com essa fugas", revela um soldado da PM que mora no Jardim São Judas. Os funcionários dos pedágios da rodovia Carvalho Pinto também viveram horas de medo. No quilômetro 92, em São José dos Campos, e a três quilômetros da cadeia, um bando de 15 foragidos procurava se esconder nas margens da estrada. Os policiais foram acionados, mas ninguém foi recapturado.
O caseiro da fazenda Bom Jardim, Geraldo Gabriel, é um dos raros moradores desta área. Sua rotina simples, de homem do campo, foi quebrada na tarde de ontem (07), quando dezenas de soldados, camburões e um helicóptero começaram a vasculhar a fazenda. " Eu fiquei com medo, mas não vi ninguém por aqui", confessa.

mockup