São José dos Campos, SP, 07 (AE) - A maior fuga em massa do País, de 345 dos 464 detentos da Cadeia Pública de Putim, em São José dos Campos, SP, pode ter tido a colaboração de policiais. Um carcereiro foi preso em flagrante. Os detentos fugiram ontem (06) pelo portão principal e sem qualquer resistência. Até as 17 horas de hoje 91 fugitivos haviam sido recapturados. Pelo menos um preso foi morto e há sete feridos. O diretor do estabelecimento penal, Gilmar Guarnieri, foi afastado do cargo.
De acordo com o delegado regional de polícia do Vale do Paraíba, Antonio Carlos Gonçalves da Silva, a administração do presídio - tido como de segurança máxima - passará por uma reciclagem geral. Ele descartou uma possível ligação entre as denúncias de um esquema de corrupção no local, lque envolveria o antigo diretor do presídio, o juiz corregedor, carcereiros, advogados e presos. Mas disse que investiga a participação de outros policiais na fuga.
Captura - Silva confirmou haver sete presos feridos e um morto, sem identificação até a noite. O cadáver foi encontrado perto da cadeia completamente desfigurado. Mas há informações de que um segundo detento foi morto nas buscas. Cerca de 200 policiais vasculham a região com auxílio de dois helicópteros, a cavalaria e a tropa de choque da polícia militar da capital.
Até às 17 horas, 91 fugitivos haviam sido recapturados. Entretanto, os enganos nas prisões mostravam o total descontrole dos policiais. Pelo menos cinco pessoas foram presas por engano. O mecânico José Ernesto, detido dentro de um ônibus, foi levado ao presídio e espancado por policiais civis. Ele ficou oito horas preso por estar sem identidade.
Os familiares de Ernesto apresentaram os documentos e conseguiram sua libertação."Os presos que estão sendo pegos também estão apanhando", contou o rapaz. O clima é muito tenso, tanto na entrada do cadeia como no bairro.
Reféns - Várias famílias viveram momentos de terror na noite de domingo e madrugada de hoje (07). Os fugitivos invadiram casas e tomaram moradores como reféns. O prefeito Emanuel Fernandes (PSDB) marcou uma audiência com o vice-governador, Geraldo Alckmin, e com secretários da área de segurança para buscar soluções para os problemas gerados pela cadeia. Duas fugas anteriores eram consideradas recordes nacionais. Em 1996, 156 fugiram e outros 197 no ano seguinte.

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