São Paulo, 16 (AE) - A Polícia Civil vai pedir à Justiça que obrigue os Bancos Itaú e do Brasil a fornecer os nomes dos correntistas donos dos cartões magnéticos apreendidos com o técnico em informática Feliciano Dato Júnior, de 22 anos. Ele foi preso na segunda-feira, com 726 cartões clonados.
O delegado Nelson Silveira Guimarães, da Seccional de Itaquera, zona leste, informou que Dato Júnior está colaborando nas investigações. "Com suas informações, esperamos em pouco tempo prender os demais integrantes da quadrilha."
Dato Júnior foi autuado por crime de falsificação de documento particular. Confessou à polícia que, com os dados entregues por seus cúmplices, preparava os cartões clonados em pouco tempo. "Ele montou um cartão na minha frente em menos de um minuto", afirmou o policial.
Um assistente de Guimarães ficou encarregado de mostrar ao juiz-corregedor Maurício Lemos Porto, do Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo) documentos apreendidos na casa de Dato Júnior. Ele também repassaria a Porto informações do depoimento do acusado sobre a atuação da quadrilha.
O policial, para chegar às pessoas que forneceram os detalhes ao grupo de falsários, pretende ouvir os correntistas. Sua intenção é saber quanto os criminosos sacaram das contas e a maneira como agiram. Em suas declarações à polícia, Dato Júnior contou que, de posse da senha e do número da conta, fica fácil entrar no sistema para saques e transferências para outras contas do mesmo banco.
Colaboração - O Banco Itaú, segundo Dato Júnior, é o preferido pela quadrilha, que também sacou dinheiro de clientes do Banco do Brasil. "Os bancos deveriam colaborar rapidamente com a polícia quando da prisão de um falsário como este", queixou-se Guimarães. "Com as informações de que necessitamos, teríamos condições de chegarmos mais rápido ao restante do grupo."
Como exemplo, o delegado citou um advogado que o procurou ontem (16), como representante do Itaú. Queria ter acesso aos documentos encontrados com o falsário. "Quando perguntei seu nome, negou-se a fornecer." Guimarães espera também que o juiz mantenha preso o acusado. Ele soube que os advogados do falsário estão tentando relaxar o flagrante. Para o delegado, apesar de ter se especializado na clonagem e ser fundamental na confecção dos documentos falsos, Dato Júnior é o "braço" menor do grupo.
O delegado acredita que terá muito trabalho pela frente. Ele está confiante, porém, de que no fim das investigações conseguirá pôr na cadeia uma das principais ou a principal quadrilha especializada em clonagens da capital.

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