São Paulo, 22 (AE) - Não ficou um barraco de pé no Morro do Eclipse. Localizado em área de mananciais, na zona sul, ele tinha sido ocupado havia dois meses por pessoas que vivem de aluguel ou de favor em bairros vizinhos.
Levando os filhos como salvaguarda, dividiram o terreno em lotes cercados com arame farpado, ergueram casebres precários. "Olha a casa que fizemos com tanto esforço", lamentou Ana Paula Silva, grávida de sete meses, contemplando, ao lado da filha, Ana Carolina, a fogueira feita com as tábuas do seu barraco.
Há uma semana os policiais do 1º Batalhão avisaram da reintegração de posse. "Demos prazo para tirarem telhas e madeira", informou o major Mardiros Burunsizian. Quando a tropa chegou, os invasores pediram tempo para providenciar transporte.
Um Passat 77, caindo aos pedaços, foi usado para a mudança.
Hoje, as casas foram derrubadas e o material de construção queimado para evitar a reutilização. "É uma cambada de sem-vergonha: a gente tira e eles voltam", disse o major.
Ana Paula diz que só quer um canto para morar. "Botei minhas coisas numa garagem e estou na rua." Manoelina Albuquerque, três filhos pequenos, pediu aos policiais que não botassem fogo na madeira. "Isso que está queimando aí é o leite das minhas crianças."
Para Abelardo Antonio Eufrásio, de 33 anos, o barraco é um sonho que continuará perseguindo. "Foi assim que começou o Jardim Nakamura." O bairro vizinho, em área de invasão, tem casas de alvenaria, calçamento e até quadra de esporte.

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