A Polícia Civil do município de Rio Grande (310 km ao sul de Porto Alegre), procura o responsável por uma série de dez assassinatos semelhantes ocorridos na praia do Cassino desde o último dia 14 de novembro. O último, que resultou nas mortes do vendedor Sílvio Luiz Kleinberg Ibias, 36, e da professora Adriana Nogueira Simões, 28, ocorreu sexta-feira. Não está descartada a possibilidade de o responsável pelos crimes ser um ‘‘serial killer’’ (assassino que comete crimes em série, geralmente com características semelhantes).
A polícia investiga vários suspeitos. Até hoje, 12 haviam sido presos. Destes, cinco já foram libertados. Os cinco crimes que resultaram nas pessoas mortas tiveram casais como alvo. Apenas o primeiro envolveu ainda uma terceira pessoa, a doméstica Maria Julieta da Silva, 38, que trabalhava para o casal de professores universitários Vitor Hugo Vitola, 51, e Dacila Vitola, 49. Também nesse crime, ocorrido no dia 14 de novembro, houve uma diferença em relação aos outros: não foram utilizadas armas de fogo, mas facas usadas para degolar as vítimas.
Em três dos crimes, as vítimas foram alvejadas por armas de fogo na nuca. Um revolver calibre 38 foi usado no assassinato do casal de estudantes Felipe Martins dos Santos, 21, e Bárbara Oliveira da Silva, 22, no dia 11 de dezembro. Nas mortes dos funcionários públicos Márcio Rodrigues Olinto, 30, e Anamaria Xavier Soares, 31, do estudante Petrick Castro de Almeida, 18, e de Ibias e Simões, a arma utilizada foi uma pistola calibre 32. Brenda Graebin, 14, namorada de Castro, sobreviveu ao ataque, mas ficará tetraplégica devido aos ferimentos sofridos.
‘‘Não estamos descartando nenhuma possibilidade. Pode ser um assassino só ou um grupo’’, afirmou ontem o delegado Pedro Alvarez, que coordena as investigações. Os três últimos crimes foram os mais semelhantes entre si. Além dos disparos na nuca em cinco vítimas, em três crimes os carros não foram roubados, sendo abandonados próximos ao corpo do proprietário. Em dois casos, foram levados os cartões bancários das vítimas e, depois, sacado dinheiro. Cinco dos mortos tiveram mãos ou pés amarrados. Oito das dez mortes ocorreram em fins de semana. Em dois dos cinco crimes o autor usou luvas para não deixar impressões digitais nos locais onde tocou.
O governo enviou um reforço de 80 policiais militares e 21 civis para ajudar nas investigações. Rio Grande fica no litoral e tem 180 mil habitantes.

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