A polícia não conseguiu localizar até ontem à tarde o segurança José Luiz Carneiro, 52 anos, desaparecido da Fazenda Água da Prata, em Querência do Norte, Noroeste do Paraná, desde a morte do assentado Sebastião da Maia, ocorrida terça-feira. Carneiro estava trabalhando como segurança na propriedade e sumiu durante a reocupação feita por um grupo de aproximadamente 300 sem-terra. O filho dele, José Wagner Carneiro, 27 anos, registrou queixa de desaparecimento do pai na Delegacia de Paranavaí.
Carneiro disse à polícia que o pai foi contratado para fazer cerca na propriedade, mas estava trabalhando como segurança. Segundo versão do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na terça-feira de manhã, quando os sem-terra chegaram na fazenda, dez seguranças fugiram. Depois de reocupar a área, os sem-terra decidiram voltar para os acampamentos de origem quando Maia, segundo o movimento, ‘‘caiu em uma emboscada’’. Ele foi morto com um tiro de calibre 12 na cabeça.
Um dia depois da reocupação a Polícia Militar retirou novamente os sem-terra da Água da Prata. Desde então, surgiu o comentário sobre o desaparecimento de um dos seguranças. Anteontem a PM fez buscas por toda a área da fazenda e propriedades vizinhas, mas não encontrou Carneiro. A polícia pretende ouvir os demais seguranças que estavam na área e os sem-terra que participaram da invasão. Cinco seguranças presos com armas nas proximidades da sede da fazenda estão presos.
Anteontem a Polícia Federal tomou o depoimento de três testemunhas apontadas pelo MST. O teor dos depoimentos não foi divulgado, mas ficou acertado que na próxima semana os sem-terra farão o reconhecimento dos cinco presos.
A mulher do proprietário da fazenda, Cecília Ferreira, disse que Carneiro foi contratado para refazer a cerca da propriedade. Ela nega a existência de seguranças na fazenda e afirma que está tendo dificuldades para contratar trabalhadores.

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